Migrações: Papa questiona inércia dos países ricos e exige tratamento digno para quem foge da pobreza

«Devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que aos animais» – Leão XIV

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 23 abr (Ecclesia) – O Papa desafiou hoje as nações mais ricas a investirem no desenvolvimento dos países do Sul, denunciando a exploração de recursos em África e o tratamento desumano dado aos migrantes nas fronteiras.

“Uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte?”, questionou Leão XIV, em declarações aos jornalistas no voo de regresso a Roma, desde a capital da Guiné Equatorial.

Perspetivando a futura viagem à Espanha, na qual se vai encontrar com migrantes nas Canárias, o Papa classificou a migração como um “fenómeno mundial” complexo.

No final da sua primeira viagem a África, Leão XIV apontou o dedo à exploração económica do continente, considerando que é visto frequentemente como “um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair as suas riquezas para a riqueza de outros”.

O pontífice apelou a um esforço global que envolva ajuda estatal e investimentos de multinacionais para promover o desenvolvimento local, evitando que as populações “tenham a necessidade de emigrar”.

Embora o Papa tenha reconhecido que “um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras” para evitar a desordem, foi categórico na defesa dos direitos humanos daqueles que tentam atravessá-las.

“São seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que aos animais”, denunciou.

Leão XIV sublinhou que, mesmo quando um país declara ter atingido o limite da sua capacidade de acolhimento, as pessoas que chegam “merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade”.

No final da conferência de imprensa, o Papa adiantou ter “um grande desejo de visitar vários países da América Latina”, embora os destinos ainda não estejam oficialmente confirmados.

O Papa concluiu hoje na Guiné Equatorial a sua maior viagem internacional, onde exigiu o fim da exploração em África e o respeito pela dignidade humana, condenando políticas de opressão e exclusão.

O périplo de onze dias, que percorreu a Argélia, os Camarões, Angola e a Guiné Equatorial, mobilizou multidões e deixou mensagens contundentes contra a exploração económica e os interesses instalados no continente.

OC

Argélia: Papa denuncia tráfico de pessoas, pedindo proteção para migrantes no Mediterrâneo e no deserto

Partilhar:
Scroll to Top