Papa condena execuções do regime iraniano e defende diplomacia em países autoritários

Cidade do Vaticano, 23 abr (Ecclesia) –Leão XIV afirmou hoje, no voo de regresso a Roma após a sua viagem a África, que nunca pode ser a “favor da guerra”, condenando as execuções do regime iraniano e apelando ao diálogo entre nações.
“Como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo todos a esforçar-se para procurar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão”, disse aos jornalistas, no voo entre a capital da Guiné Equatorial e Roma.
Depois das polémicas com o presidente norte-americano, Donald Trump, que marcaram o início da viagem à África, o pontífice contou uma história pessoal para ilustrar a sua oposição à violência.
“Trago comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia ‘Bem-vindo, Papa Leão’. Agora, nesta última fase da guerra, foi morto”, relatou.
Perante cerca de 70 jornalistas, o Papa foi questionado sobre as tensões geopolíticas no Médio Oriente, nomeadamente o conflito envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos.
“Há toda uma população no Irão de pessoas inocentes que estão a sofrer com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro qual o regime que existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão”, indicou.
Em vez disso, eu gostaria de incentivar à continuação do diálogo em favor da paz, que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado.”
O Papa lamentou que a resposta imediata aos conflitos seja frequentemente a violência.
“A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes”, declarou Leão XIV.
O Papa partilhou o impacto de ler cartas de famílias que perderam os filhos nos ataques, condenando a morte de “muitos inocentes”.
Confrontado com as recentes execuções de opositores pelo regime iraniano, o pontífice foi perentório na defesa da vida.
“Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte”, afirmou, reiterando que a vida humana deve ser protegida “desde a conceção até à morte natural”.
“Quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado”, acrescentou.
Durante a conferência de imprensa, o Papa explicou ainda a postura da Santa Sé perante governos autoritários, após ter visitado a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, entre 13 e 23 de abril.
Leão XIV esclareceu que a manutenção de relações diplomáticas não significa que a Igreja aprove esses regimes, destacando o esforço para intervir nos bastidores.
“Há muito trabalho a ser feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los”, declarou.
OC
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