IA/Vaticano: Prémios Nobel, especialistas e antigos chefes de Estado trabalham em declaração sobre a paz na era da inteligência artificial

«Linguagem da dissuasão voltou a dominar as relações internacionais», lamenta representante da Santa Sé em encontro que decorre em Castel Gandolfo

Foto: Vatican Media

Castel Gandolfo, 14 jul 2026 (Ecclesia) – O Vaticano está a debater o futuro da segurança internacional face à inteligência artificial e às ameaças nucleares, reunindo 30 vencedores do Prémio Nobel, especialistas e antigos chefes de Estado no ‘Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo.

O cardeal Silvano Maria Tomasi, núncio apostólico e presidente da Fundação Communis (Santa Sé), alertou que as novas tecnologias “estão a redefinir o próprio conceito de segurança” num contexto em que “a linguagem da dissuasão voltou a dominar as relações internacionais”.

O representante do Vaticano sublinhou que “as ameaças nucleares voltam a ser invocadas abertamente” e que “as atuais estruturas de controlo de armamento se enfraqueceram progressivamente”.

Citando a encíclica ‘Magnifica humanitas’, de Leão XIV, o cardeal Tomasi afirmou que a humanidade enfrenta a escolha entre “construir uma nova Babel, onde o poder tecnológico se torna um ídolo que promete a salvação reduzindo a pessoa humana a dados, eficiência e controlo”, ou “reconstruir Jerusalém, onde a diversidade se torna comunhão e a tecnologia está ao serviço da fraternidade”.

O orador recordou ainda que, segundo o pontífice, “a tecnologia nunca é moralmente neutra”.

Também presente no encontro, o cardeal Ángel Fernández Artime, pro-prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, defendeu que “o problema não é a tecnologia, mas a orientação” que se lhe quer oferecer.

O colaborador do Papa avisou que, sem atenção aos direitos fundamentais, existe o risco de “criar sistemas que favoreçam o controlo, a manipulação e até novas formas de desigualdade”.

Foto: Vatican Media

Dos trabalhos, que decorrem até quinta-feira, vai sair a “Declaração de Roma para uma paz desarmada e desarmante na era da inteligência artificial”, a apresentar no Capitólio, com o objetivo de “definir princípios e linhas orientadoras para a governação da inteligência artificial”.

O cardeal Fabio Baggio, pro-prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e diretor-geral do Centro de Formação Superior do ‘Borgo Laudato si’, abriu os trabalhos recordando que a paz “não é simplesmente a ausência de guerra”, mas “uma ordem fundada na justiça, na confiança mútua, no respeito pelo direito e na dignidade inviolável de cada ser humano”.

O encontro conta com a participação de representantes da OpenAI, Google DeepMind e Anthropic, entre outras instituições e universidades como Harvard, Oxford e Columbia.

OC

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