África: Papa conclui primeira viagem ao continente, depois de denunciar exploração e apelar à defesa da dignidade de todos

Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial receberam Leão XIV, ao longo de 11 dias

Foto: Lusa/EPA

Malabo, 23 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa concluiu hoje na capital da Guiné Equatorial a sua maior viagem internacional, onde exigiu o fim da exploração em África e o respeito pela dignidade humana, condenando políticas de opressão e exclusão.

O périplo de onze dias, que percorreu a Argélia, os Camarões, Angola e a Guiné Equatorial, mobilizou multidões e deixou mensagens contundentes contra a exploração económica e os interesses instalados no continente.

Perante as autoridades políticas, em Luanda, Leão XIV atacou modelos de desenvolvimento que sacrificam as populações e o ambiente em favor do lucro.

“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”, disse.

A denúncia da exclusão social e da desigualdade extrema acompanhou todas as etapas da deslocação, com o pontífice a apontar o dedo à concentração de riqueza e ao desprezo pelos direitos fundamentais, na Guiné Equatorial.

“Que cresçam espaços de liberdade e que a dignidade da pessoa humana seja sempre salvaguardada: penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldades; penso nos presos, muitas vezes obrigados a viver em condições higiénicas e sanitárias preocupantes”, referiu Leão XIV.

Nos Camarões, num encontro com vítimas da guerra na região de Bamenda, o Papa enfrentou a realidade dos conflitos armados e condenou a instrumentalização da religião.

Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer”.

A liberdade espiritual e política marcou os discursos da visita, com desafios diretos à inércia das populações perante sistemas de poder autoritário.

“Os déspotas e os tiranos do corpo e do espírito pretendem tornar as almas passivas e os ânimos tristes, propensos à inércia, dóceis e subjugados ao poder”, observou em Angola.

O percurso africano de Leão XIV privilegiou o contacto com as periferias, reivindicando o valor inalienável de cada vida humana, passando por uma prisão, lares de idosos, hospitais e outras iniciativas sociais promovidas pela Igreja Católica.

A defesa dos migrantes constituiu outro pilar da viagem, simbolizado pelo discurso perante o corpo diplomático e responsáveis políticos em Argel, onde Leão XIV exigiu a proteção das rotas migratórias no Mediterrâneo e no deserto.

“Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia”, apelou.

Na reta final da viagem, o pontífice fez um balanço emotivo dos dias vividos no continente africano.

“Deixo África levando comigo um tesouro inestimável de fé, de esperança e de caridade. É um grande tesouro, feito de histórias, de rostos, de testemunhos, alegres e sofridos, que enriquece abundantemente a minha vida e o meu ministério como sucessor de Pedro”, disse na Missa conclusiva da visita à Guiné Equatorial.

A maior visita apostólica do atual pontificado encerra-se com o regresso do Papa a Roma, deixando no continente africano um apelo à responsabilidade política dos cristãos na construção de uma sociedade livre.

OC

África: Papa conclui visita inédita à Argélia, marcada por apelos ao diálogo e alertas contra a violência

África: Papa conclui visita aos Camarões marcada por denúncia da corrupção e da guerra

Angola: Papa conclui viagem que deixou mensagens contra a corrupção e sublinhou urgência da pacificação

Guiné Equatorial: Leão XIV encerra programa marcado pela atenção às periferias e apelos à justiça social

 

 

 

 

 

Partilhar:
Scroll to Top