Vaticano: Papa rejeita bênçãos «formalizadas» a casais homossexuais, reiterando acolhimento na Igreja

Leão XIV demarca-se de iniciativas de bispos alemães e pede atenção à «unidade» das comunidades católicas

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 23 abr (Ecclesia) –Leão XIV rejeitou hoje a autorização de bênçãos “formalizadas” a casais homossexuais, distanciando-se das práticas adotadas por algumas dioceses na Alemanha.

“A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção”, referiu o Papa, no voo de regresso de Malabo (Guiné Equatorial) para Roma, após a sua primeira viagem a África.

O pontífice foi questionado sobre a decisão do cardeal alemão Reinhard Marx, arcebispo de Munique, de permitir estas bênçãos na sua diocese, e sobre o impacto dessa medida na unidade da Igreja, especialmente face às perspetivas culturais africanas.

“A unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual”, assinalou.

Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica.”

Leão XIV destacou que, “quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas”.

“A famosa expressão de Francisco ‘todos, todos, todos’ expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida”, acrescentou.

Para o Papa, “ir além disso”, neste momento, “pode causar mais desunião do que unidade”, nas comunidades católicas.

“Devemos procurar construir a nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta”, concluiu.

OC

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