Irmã Hanna Kiedrowska relata emoção de quem é acolhido pela estrutura fundada por Francisco

Cidade do Vaticano, 09 jul 2026 (Ecclesia) – A irmã Hanna Kiedrowska denunciou hoje o sofrimento extremo das pessoas em situação sem-abrigo, sublinhando a urgência de devolver a dignidade a esta população marginalizada.
“Quando pela primeira vez encontrei uns jovens sem-abrigo e lhes chamei irmãos, puseram-se a chorar e disseram-me que ninguém os tinha alguma vez chamado assim”, testemunhou a religiosa palotina, que dedica parte do seu tempo ao acompanhamento destas pessoas, junto à Praça de São Pedro.
Em entrevista ao portal ‘Vatican News’, a voluntária explicou que os cidadãos vulneráveis crescem habituados à hostilidade constante, lidando diariamente com “apenas insultos e palavras de desprezo”.
A assistência ultrapassa o mero suporte higiénico e alimentar, com a religiosa a advertir que os utentes “muitas vezes querem simplesmente falar”.
A irmã Hanna Kiedrowska frisou a importância de escutar o percurso destas vítimas para perceber “quantas feridas trazem dentro de si” derivadas da infância ou do contexto familiar.
A religiosa reconheceu a gravidade das dependências instaladas na comunidade acolhida, lamentando que muitos sobreviventes “estão tão profundamente feridos que lhes é muito difícil regressar a uma vida normal”.
As instalações sanitárias encontram-se situadas sob a Colunata de Bernini e foram fundadas pelo Papa Francisco no ano de 2015, operando sob a gestão da Esmolaria Apostólica.
A promoção de condições básicas de higiene e cuidado pessoal funciona como um mecanismo vital, porque “os ajuda a redescobrir a dignidade de filhos de Deus”, defendeu a dinamizadora.
O contacto regular com a exclusão extrema impulsionou a religiosa polaca a desejar a criação de momentos devocionais no recinto, sustentando que “um caminho de formação espiritual seria para eles uma riqueza imensa”.
OC
