Bispo auxiliar de Kinshasa realça situação «muito preocupante»

Lisboa, 30 mai 2018 (Ecclesia) – Várias religiosas estão desaparecidas há 10 dias, na República Democrática do Congo, depois de um ataque levado a cabo por rebeldes ugandeses da Frente Democrática Aliada, na região de Mbau, no Kivu Norte.

A informação é avançada pela página online da Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), que realça “desconhecer-se ainda o paradeiro de algumas religiosas que se encontravam no local”.

“Sobre as irmãs não é dada mais nenhuma informação. Desconhece-se quem são e quantas religiosas terão sido eventualmente sequestradas”, pode ler-se.

No mesmo ataque, que teve lugar no dia 20 de maio, morreram “pelo menos dez pessoas”, com os atacantes a espalharem o terror “saqueando lojas e incendiando veículos”.

A situação de “insegurança” no território tem levado a “uma forte reação de protesto por parte da população”, diante da “aparente incapacidade das forças de ordem” e dos capacetes azuis da ONU contrariarem a ação dos grupos armados e rebeldes que têm espalhado a violência no território.

Recorde-se que a zona de Kivu Norte e Kivu Sul faz fronteira com nações como o Uganda, o Ruanda, o Burundi e a Tanzânia, países eles próprios a viverem em estado de sobressalto social permanente.

No caso dos rebeldes da Frente Democrática Aliada, eles “têm como objetivo a criação de um ‘estado islâmico’ na região.

“Isso ajuda a compreender como é complexo o problema de segurança que se coloca”, refere a AIS.

De acordo com os últimos dados das Nações Unidas, estima-se que existam atualmente “cerca de cinco milhões de congoleses deslocados e 675 mil refugiados em países vizinhos, vítimas da violência de grupos armados”.

Outra organização, a ‘Human Rights Watch’, salienta que “entre Junho e Novembro de 2017, só na província do Kivu, terão sido assassinados mais de 500 civis, e cerca de mil foram sequestrados”.

Outra preocupação da Igreja Católica naquele país diz respeito a um surto de Ébola que oficialmente já causou “mais de duas dezenas de mortos”, havendo ainda neste momento “mais meia centena de casos confirmados”.

Em declarações à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre, o bispo auxiliar de Kinshasa, D. Fridolin Besungu, já frisou que se trata de uma situação “muito preocupante”.

Este surto de Ébola, referiu ainda aquele responsável católico, tem persistido também muito devido à “ignorância” e ao “comportamento irresponsável da população”.

D. Fridolin Ambongo partilha ainda o seu “receio” de que esta epidemia “possa vir a crescer de forma terrível nas próximas semanas, uma vez que se estima que pelo menos outras mil pessoas terão já estado, de alguma forma, em contacto com pacientes ou vítimas da doença.

JCP

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