Bósnia: Santuário de Medjugorje sofre ato de vandalismo e estátua da Virgem Maria é atingida

Fundação Ajuda à Igreja que Sofre denuncia que este é o mais recente caso de uma onda de ataques contra igrejas em vários países da Europa e das Américas

Foto: Vatican Media

Lisboa, 31 jul 2026 (Ecclesia) – O Santuário europeu de Medjugorje, na Bósnia, foi alvo de um ato de vandalismo e profanação, na madrugada de terça-feira, que atingiu a estátua da Virgem Maria, originando uma investigação pelas autoridades locais.

Um homem não identificado escreveu mensagens ofensivas na imagem venerada por milhares de peregrinos, divulga o portal de notícias do Vaticano, e, meia hora depois, um incêndio iniciou-se no altar externo da igreja de São Tiago.

As câmaras de vigilância captaram o momento em que o indivíduo derramou um líquido no espaço e o incendiou.

No início da tarde de terça-feira, a polícia da Bósnia-Herzegovina informou ter prendido um homem suspeito da profanação na área de Ljubuški, indica o ‘Vatican News’.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS) lembra que este é o mais recente caso de uma onda de profanações, dando conta que, desde Espanha até aos EUA, várias igrejas foram vandalizadas nos últimos três meses.

“Embora os ataques pareçam não estar relacionados entre si, demonstram que a liberdade religiosa não deve ser dada como garantida, mesmo em países de maioria cristã”, destacou.

Segundo informações recolhidas pela Fundação AIS Internacional a partir de notícias locais, citadas pelo secretariado português, ocorreram incidentes em Espanha, França, Itália, Alemanha, Irlanda do Norte, Bélgica, Colômbia, Nicarágua, Polónia, México, República Dominicana e EUA.

A fundação pontifícia relata que “na Nicarágua, um país onde a Igreja tem sofrido graves perseguições a nível estatal nos últimos anos, uma igreja foi assaltada duas vezes na Diocese de Estelí, nos dias 13 e 16 de Junho”, tendo os assaltantes levado instrumentos musicais e mobiliário e destruído uma imagem de Jesus na Paróquia de Francisco de Assis.

No sudoeste de França, indivíduos invadiram uma igreja em Mugron e roubaram o Santíssimo Sacramento do sacrário, entre 14 e 17 de Junho, num incidente que está a ser investigado pelas autoridades; um crime semelhante aconteceu na igreja de igreja de São Pedro e São Paulo, em Lille, de onde foram roubados objetos litúrgicos e o sacrário com hóstias consagradas.

Na Bélgica, a 8 de junho, foram registados ataques incendiários semelhantes, bem como na Itália a 16 de Junho, na Irlanda do Norte a 28 de Junho e na Alemanha a 29 de Junho.

Noutras geografias, a Diocese de Saltillo, no México, registou um caso de roubo do Santíssimo Sacramento do sacrário a 12 de junho e, um mês mais tarde, criminosos invadiram três igrejas diferentes na Diocese de Santo Domingo, na República Dominicana, e arrombaram o sacrário para roubar vasos sagrados.

Atos de vandalismo também foram registados em Espanha, mais precisamente na Catalunha, onde um grupo de jovens invadiu a igreja de Nossa Senhora da Paz, em Òdena, a 19 de Maio, causando graves danos materiais no interior, e ainda na Polónia, onde um jovem foi detido pro crimes praticados na igreja da Assunção, em Łubów, a 8 de junho.

Na Colômbia, a 21 de junho, decorreu um ataque mais grave, com um grupo armado desconhecido a utilizar drones para lançar explosivos contra uma igreja cristã no norte do país, causando a morte a um menino de 10 anos.

Na Califórnia, nos EUA, agressores desconhecidos danificaram a igreja de São Columba, partindo crucifixos e outras imagens religiosas e chegando mesmo a danificar uma fonte que tinha sido erigida em memória de seis estudantes irlandeses de intercâmbio que morreram num acidente em 2015, a 6 de maio.

Num discurso proferido no Parlamento espanhol a 8 de Junho, o Papa Leão XIV realçou que “a liberdade de pensamento, de consciência e de religião” é “uma questão decisiva para toda a sociedade verdadeiramente democrática”.

“A liberdade sobre a qual se edifica o Estado contemporâneo, se for autêntica, reconhece a dimensão religiosa do ser humano, respeita-a e tutela-a juridicamente”, afirmou.

LJ/OC

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