Bispo sublinha questiona «visão naturalista e autossuficiente» que limita dignidade humana

Porto, 17 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo do Porto manifestou-se contra o que qualificou de “visão naturalista e autossuficiente” da vida humana, considerando que a mesma limita a dignidade de cada pessoa.

“O crente não vê a vida como uma possessão quantificável em um qualquer valor económico, já que não é dono do que não adquiriu, mas simples depositário do que lhe foi oferecido”, refere D. Manuel Linda, num artigo de opinião publicado pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

Numa referência indireta ao debate em curso sobre projetos de legalização da eutanásia em Portugal, o responsável católico indica que a visão cristã sobre a vida procura uma perspetiva global, com atenção ao “valor, a dignidade, a razão”.

“Não a entende fora da relação com o Deus que a criou. O que lhe garante indisponibilidade: ninguém é dono dela”, acrescenta.

A visão naturalista e autossuficiente, pelo contrário, reduz a vida a valor instrumental, a critério de disfrute, a vontade de poder, a norma estética, a posse individual sem responsabilidade social. E se estes falham, para ela, soçobram as razões de viver”.

A luz da fé, indica D. Manuel Linda, “é uma luz que faz ver tudo o que as outras luzes fazem ver, mas que, além disso, possui uma claridade exclusiva que as outras não atingem nem atingirão”.

O bispo do Porto assinala que a posição católica “o que aniquila a pessoa” tem, necessariamente, motivos religiosos, considerando que isso não lhe retira qualquer valor.

OC

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