Representantes de 112 países participam na Assembleia Geral Internacional, que decorre em Lisboa, para analisar desafios da missão vicentina e definir orientações para o futuro

Lisboa, 18 jun 2026 (Ecclesia) – A Sociedade de São Vicente de Paulo vai apostar, nos próximos anos, na promoção de “projetos de cooperação internacional, de ajuda ao desenvolvimento” e apoio em situações de “catástrofes em todo o mundo”.
“O nosso objetivo é crescer em termos de recursos e de ações sociais que levamos a cabo. É, de certa forma, este abraço que procura renovar o mundo”, afirmou o presidente-geral internacional da SSVP, Juan Manuel Gomez, em declarações à Agência ECCLESIA, em Lisboa.
O responsável está na capital portuguesa a participar na Assembleia Geral internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo, com o tema “Amizade na fé”, que termina esta sexta-feira, reunindo representantes de 112 países.
O encontro, que se realiza no Hotel Ramada, nas Olaias, tem como um dos objetivos refletir sobre os desafios da missão vicentina, sendo um deles “uma sociedade cada vez mais secularizada, sobretudo na Europa”, apontou Juan Manuel Gomez.
“Queremos que as pessoas se juntem com entusiasmo a esta confederação internacional, que somos um grupo de leigos que procuramos fazer o bem ao próximo para, assim, fazermos o bem a nós próprios e irradiarmos esse bem para a sociedade”, referiu.
O responsável salienta que a SSVP está presente em 155 países, com sócios, voluntários e colaboradores: “Somos apenas uma conferência que se move pelo mundo e aqui estamos a demonstrá-lo”.
A missão dos vicentinos é estar ao lado dos que sofrem dos vários tipos de pobreza, material e espiritual, e que, assinala Juan Manuel Gomez, em “alguns países é tradicionalmente sistémica”.
“Estivemos recentemente numa viagem a Singapura, e o bispo dizia-nos: ‘Aqui não há pobres, mas há outras formas de pobreza’. Há a pobreza da solidão, a pobreza do idoso desamparado”, indicou.
O presidente-geral internacional da SSVP alertou também para a situação dos doentes que se encontram sozinhos nos hospitais e das pessoas com deficiência que se encontram em situação de fragilidade económica.


Também a participar no encontro em Lisboa está Júlio César Lima, que colabora como vice-presidente para a estrutura internacional e projetos especiais na Sociedade de São Vicente de Paulo.
O responsável aponta África, Ásia e América Latina como os continentes onde existe “um maior grau de pobreza”, advertindo ainda para outras formas de exclusão, “bastante atuais”, que não afetam apenas os países subdesenvolvidos ou nos países ainda em desenvolvimento.
“Eu poderia citar a exclusão digital, as mudanças tecnológicas que levam as pessoas a perderem as suas colocações de trabalho. Então, nessas situações que podem ser permanentes ou provisórias para essas famílias, para essas pessoas, os vicentinos procuram estar presentes para dar-lhes um apoio, para que elas possam reencontrar o seu caminho”, referiu.
A Sociedade de São Vicente de Paulo, que tem como estruturas-base as Conferências de São Vicente de Paulo ou Conferências Vicentinas, é um movimento católico de leigos apoia-se nos princípios da justiça, da solidariedade e da caridade, foi fundada em 1833, em Paris (França), por Frederico Ozanam, que foi beatificado pelo Papa São João Paulo II, em 1997.
LJ/PR


