Moçambique/Igreja: Bispos exigem apuramento da verdade sobre assassinato de D. Osório Citora Afonso

Presidência da Conferência Episcopal rejeita tese de problemas internos, na Diocese de Quelimane, na origem do crime

Foto: Diocese de Quelimane

Maputo, 09 jul 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) exigiu hoje uma investigação abrangente ao assassinato de D. Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane, denunciando a ausência de comunicações oficiais por parte das autoridades policiais competentes.

“A presidência da Conferência Episcopal de Moçambique manifestou, em nome de todo episcopado moçambicano, a sua preocupação pelo facto de, até agora, nada saber oficialmente do que aconteceu, ficando apenas com o que foi dito publicamente pela imprensa: que o bispo foi morto a tiro com uma arma de fogo, sem nenhuma referência a possíveis respostas para as perguntas cruciais”, afirmou o presidente do organismo, D. Inácio Saúre, em conferência de imprensa que decorreu na capital moçambicana e teve transmissão online.

O arcebispo de Nampula manifestou enorme preocupação com o encobrimento dos factos, frisando que se deve “dizer a verdade e nada mais do que a verdade”.

A conferência de imprensa serviu para apresentar o balanço das reuniões mantidas em Roma com os responsáveis da Santa Sé, a 3 de julho, sobre os contornos deste ataque.

Leão XIV recebeu a delegação da CEM, assegurando que o Vaticano acompanha este momento “com profunda preocupação”.

Segundo os bispos, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, enviou uma missiva ao presidente moçambicano, Daniel Francisco Chaco, a solicitar “máxima diligência e transparência” no desenrolar do processo judicial.

“Formamos padres para anunciar o Evangelho; ali o crime foi cometido por uma arma”, advertiu o vice-presidente da CEM, D. João Carlos Nunes, falando aos jornalistas.

O arcebispo de Maputo rejeitou as insinuações veiculadas pela imprensa de que o homicídio constitua um simples problema interno da instituição, exigindo identificar os mandantes da operação.

O responsável sublinhou que a Igreja não possui instalações de treino paramilitar, avisando os investigadores de que “ali foi um crime feito por alguém que domina aquele instrumento”, numa referência à especificidade da arma utilizada.

D. João Carlos Nunes enquadrou a tragédia num cenário nacional de “corrupção”, que “banaliza a vida”, alertando para o impacto da resolução de conflitos através da vingança.

D. Osório Citora Afonso, bispo da Diocese de Quelimane, foi morto a tiro a 6 de junho, dentro da Casa Episcopal.

OC

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