Relatórios oficiais contabilizam desaparecimento de 172 pessoas durante o último ano, das quais 91 são menores de idade

Antananarivo, 01 ago 2026 (Ecclesia) – A Igreja Católica denunciou o agravamento do desaparecimento de crianças em Madagáscar para alimentação de redes de tráfico de órgãos, exigindo às autoridades o fim da impunidade.
Os relatórios oficiais da polícia malgaxe contabilizam o desaparecimento de 172 pessoas durante o último ano, das quais 91 são menores de idade.
O bispo de Antsirabe rejeitou a passividade civil perante a vaga de “assassinatos seletivos” de inocentes em todo o território nacional.
“Não podemos ficar meros espectadores diante da trágica realidade dessas ondas de assassinatos que ocorrem aqui e ali e cujos culpados continuam impunes”, lamentou D. Jean Pascal Andriantsoavina.
O missionário italiano Luca Fornaciari confirmou que as investigações criminais apontam o comércio ilegal de partes do corpo humano como o “motivo dos desaparecimentos”.
“Os sequestros de crianças e jovens são uma ferida”, declarou o sacerdote ao portal ‘Vatican News’.
A estância turística de Nosy Be registou nos últimos dias o rapto de duas raparigas de oito e 13 anos de idade.
“A minha mãe, que mora lá, testemunhou que as duas meninas foram levadas por alguém e isso é algo frequente”, relatou o cooperante humanitário Claudio Orange.
A junta militar que assumiu o poder da ilha africana em outubro de 2025 tem revelado ineficácia na contenção da criminalidade.
A ativista Ketakandriana Rafitoson, da organização Transparency International, advertiu que a lentidão judicial adensa o pânico na população.
“Quando as pessoas percebem que as investigações não avançam com rapidez suficiente e que os responsáveis por esses crimes não são identificados, o medo cresce muito além dos casos individuais”, constatou a responsável.
As missões humanitárias no terreno relatam um agravamento das privações sociais, caracterizadas por falhas de abastecimento de água e eletricidade fora dos complexos turísticos.
“Tudo segue como antes dos levantes, até pior do que antes”, resumiu Arianna Martini, fundadora da organização não-governamental ‘Support and Sustain Children’.
As estruturas católicas responderam à crise económica local com a recente inauguração de um complexo universitário vocacionado para o ensino agronómico.
“O que conseguimos fazer foi um milagre e também um grande esforço económico”, congratulou-se o padre Luca Fornaciari, referindo-se ao apoio financeiro providenciado pelo episcopado italiano.
OC
