Solidariedade: Cáritas Portuguesa apoia quatro estados venezuelanos com distribuição de kits alimentares, de higiene e apoio psicossocial

Presidente da organização católica, Rita Valadas, e Lara Azevedo, da área internacional da instituição, abordam como se concretiza ajuda à população, após os sismos

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 09 jul 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa informou que vai atuar em quatro estados da Venezuela junto da população afetada pelos dois sismos de há duas semanas, através da distribuição de kits de alimentação e de higiene, oferecendo também apoio psicossocial.

“Através do Instrumento de Resposta Rápida que foi aberto pelo Instituto Camões, em conjunto também com a Associação Helpo, submetemos um projeto que foi aprovado e então nós estaremos agora a atuar, não em Caracas e La Guaira, mas sim noutros quatro estados, em Aragua, Falcón, Miranda e Carabobo”, afirmou Lara Azevedo, da área internacional da instituição.

Em entrevista ao programa Ecclesia, transmitido hoje na RTP2, a organização católica explica que estas regiões situam-se próximas do epicentro dos abalos e neste sentido, “também sofreram vários danos”.

“Em três destes [estados] há mais de um milhão de pessoas que foram afetadas”, referiu Lara Azevedo.

“Nós vamos atuar na distribuição de kits, seja alimentares, de higiene, kits de dignidade feminina também e de proteção infantil e também de apoio psicossocial”, explica.

Ao fim de duas semanas, a presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, refere que da Venezuela continuam a chegar a evidências da destruição e da dificuldade que vai ser recuperar as famílias e as casas, salientando que tudo o que são infraestruturas e locais de resposta de emergência ficaram devastados.

A responsável destaca a importância de “não deixar de olhar para a Venezuela e para a situação das pessoas que lá estão”.

“A destruição é visível, já todos puderam ver imagens, mas aquilo que nós apelamos é que a ajuda internacional e a concentração nesta preocupação não se fique para essas situações”, pediu.

Rita Valadas defende que o foco deve estar na “muita gente” que há para “cuidar”, após a tragédia se abater sobre a Venezuela.

“As pessoas perderam tudo. Não têm casa, não têm meios de subsistência, estão numa situação de grande vulnerabilidade e sentem-se sozinhas naturalmente. Por isso nós é nessa base que tentamos articular, com a Cáritas Venezuela e com a colaboração da Cáritas Internacionalis, naquilo que eles mais precisarem”, disse.

Através da rede internacional, em articulação com a Caritas Internationalis, estamos disponíveis para ajudar e levar apoio da Cáritas Portuguesa

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram, no dia 24 de junho, a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

O mais recente balanço oficial, segundo a Lusa, indica que os abalos provocaram 3811 mortos e 16 740 feridos, incluindo 102 portugueses e lusodescendentes.

Presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, e Lara Azevedo, Área internacional da Cáritas

A ligação da Madeira à Venezuela levou, segundo explica Rita Valadas, muitos residentes da ilha a tentar perceber como poderiam ajudar.

Em articulação com a Cáritas Internacionalis, a organização católica portuguesa mostrou-se disponível para ajudar e levar apoio a todos os que precisam de ajuda, publicando formas de ajudar a contribuir financeiramente.

“Aquilo que nós percebemos é que se gastava imenso dinheiro a organizar bens para irem de um sítio para o outro, quando esses bens existem mais próximos. Estamos a desperdiçar dinheiro e estamos a desperdiçar recursos. E nós também não sabemos o que é que é mais necessário”, salientou Rita Valadas.

A responsável dá o exemplo do envio de medicamentos, que acabam por ser um desafio para quem recebe, uma vez que estão em português.

“Às vezes nós temos pouca noção disto. Nós temos que responder de acordo com as necessidades que nos são evidenciadas no território”, realçou.

LS/LJ/OC

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