João António Pinheiro Teixeira, diocese de Lamego

Invariavelmente, o nosso padrão de avaliação é quantitativo, cinicamente contabilístico.
O mais forte é quem contabiliza mais golos na baliza adversária, quem contabiliza mais dinheiro na conta, quem contabiliza mais páginas no currículo, quem contabiliza mais galardões na carreira. E, aterradoramente, quem contabiliza mais vítimas na guerra.
É assim que se determinam — quase sem discussão — os vencedores.
Quem tem o arrojo de contradizer quem vence? Praticamente todos dão razão aos vencedores, celebrando os seus feitos e evitando demarcar-se dos seus métodos.
É por isso que a dureza é mais cultuada que a fraqueza. Quando se quer animar alguém, todos lhe auguram «força». Quem deseja «fraqueza» a um amigo?
É, porém, indispensável — e sadio — reconhecer que somos fracos, assumindo os nossos limites e fundindo as nossas fraquezas com as fraquezas dos outros. O fraco estende a mão, não aponta armas de destruição.
A este respeito, a sabedoria oriental é bem mais subtil. Para Lao-Tzé, a dureza é atributo de quem está morto, ao passo que a suposta fraqueza é própria de quem vive.
De facto, é quando morre que o homem fica rígido. Pelo contrário, ao nascer, apesar de frágil, está a inaugurar o seu percurso de vida.
Por isso, Hermann Hesse decretou: «O mole é mais forte que o duro; a água é mais forte que a rocha; e o amor é mais forte que a violência».
O mole — depreendeu Allan Percy — «acolhe enquanto o duro repele».
A violência «é uma resposta frequente em situações em que se quer impor o critério pessoal e não se consegue».
Um grito ou um insulto são formas de intimidar os outros. «Mas essa atitude só implica fracassos».
Efetivamente, «submeter os outros faz com que queiram afastar-se». A violência pode conseguir subjugar, o que será visto como demonstração de força.
Acontece que se trata de uma robustez efémera, «porque toda a agressão acaba por se virar contra nós com a mesma força que lhe imprimimos».
O que se consegue com a paciência pode vir de forma lenta, mas é mais benéfico e duradouro.
Não enriquecemos quando combatemos o outro. «Os que encontramos nos nossos caminhos trazem-nos sabedoria, desde que não os queiramos destruir, submeter ou desprezar».
Acreditem. É lúcido quem percebe que ser humano é ser frágil. A fragilidade sincroniza-nos com os outros, sem nunca ter a veleidade de colonizar o pensamento e a vida das pessoas.
Há de vir um tempo — que não venha muito tarde — em que compreenderemos que há muita fraqueza na força e uma surpreendente força na fraqueza.
O paradigma do vencedor costuma estar no que — atrabiliariamente — tira a vida. Todos o receiam e bajulam.
É urgente que passe a estar n’Aquele que dá a vida. Só Ele acrescenta. Só Ele agrega. Só Ele felicita e pacifica. É por isso que, invertendo o paradigma, Um pode vencer o mundo inteiro (cf. Jo 16, 33). Vamos aprender com Ele?
João António Pinheiro Teixeira
