«Férias… para recuperar das férias»

Henrique Matos, Agência Ecclesia

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Há quem por elas suspire o ano inteiro e, quando chegam, entre na vertigem de concentrar o maior número de experiências e locais, no espaço sempre limitado que as férias permitem. Consequência… essa expressão que escutamos com alguma frequência: o que me fazia falta, eram uns dias para descansar das férias.

A tradicional pausa laboral permite liberdade de gestão. Alguns poderão optar por um destino, não a pensar em si, mas nos outros. No efeito catapulta que as imagens de lugares exóticos e manjares bizarros irão provocar na popularidade das suas redes sociais e na consequente libertação da dopamina que massaja o ego.

Outra opção, é mudar de cor, para mais escuro, cedendo a essa prática iniciada em 1923 pela estilista Coco Chanel, segundo alguns, após retornar de férias com um bronzeado acidental. O aspeto moreno é tido como saudável, ainda que a prática do apanhar sol, à luz da evidência médica, já entre na categoria das atividades de risco.

No dicionário, ainda encontramos a palavra férias definida como um período consagrado ao repouso mas a experiência revela que este, anda delas, cada vez mais arredado.

Escrevo estas linhas com o propósito de reabilitar o repouso e pugnar para que ele regresse aos dias de férias. Sem receitas milagrosas, sugiro ter tempo, deixar correr os dias devagar, esticar o espaço da refeição e da conversa, eventualmente a sesta.  Nada disto implica grande investimento e já sinto algo de repousante.

Recordo ainda que o repouso não é apenas físico, mas também mental. Não indico o deixar de pensar ou refletir, mas estar aberto a novas realidades como a beleza, a leitura ou a contemplação.

Realidades de que a rotina diária nos afasta e que, por estes dias, estão disponíveis ali naquele museu, na livraria ou na paisagem… é económico e pode ser revelador de tantas dimensões esquecidas ou ignoradas.

Para rematar, sugiro a nota da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga. Aquele organismo lembra que “o direito ao descanso é uma questão de justiça” e o tempo de férias não pode ser um luxo.

 

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