Canárias: Papa pede travessias marítimas mais humanas, em visita a centro para migrantes

Leão XIV ouviu testemunhos de quem enfrenta «a fome, o frio, o desespero e, muitas vezes, a morte», na Rota do Atlântico

Foto: Lusa/EPA

San Cristóbal de La Laguna, Espanha,  12 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje a urgência de humanizar as rotas migratórias, durante um encontro com refugiados no Centro de Acolhimento de ‘Las Raíces’, em Tenerife.

“Ajudemo-nos uns aos outros a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um”, apelou Leão XIV, falando num centro de acolhimento para migrantes que chegam às Canárias desde o continente africano, através da Rota Atlântica, uma das mais perigosas do mundo.

A segunda etapa da viagem ao arquipélago espanhol sublinhou que todas pessoas são migrantes, “de certa forma”, apelando à solidariedade para “fazer desta travessia um lugar mais humano para todos”.

O pontífice usou a designação do próprio complexo de alojamento temporário para ilustrar a necessidade de preservar a memória das origens de cada pessoa deslocada.

“Que esta imagem das raízes vos ajude também a permanecer firmemente enraizados no Senhor, para que nenhuma tempestade vos possa afastar da sua presença, que fortalece e dá vida”, desejou Leão XIV, que falou em francês para facilitar a compreensão dos presentes.

Neste contexto, é providencial que possamos encontrar-nos, ver-nos e, acima de tudo, saber que o amor de Deus não conhece fronteiras, não faz distinções, é concedido a todos e nos congrega na unidade, independentemente da nossa origem.”

Antes da alocução papal, uma das mulheres acolhidas na infraestrutura relatou os perigos enfrentados no oceano e contestou a passividade internacional perante o drama humanitário.

“Pedimos que as fronteiras não se transformem em muros de indiferença”, declarou, num texto lido em espanhol.

“Atravessar rotas perigosas, especialmente o Oceano Atlântico até às Canárias, significa enfrentar a fome, o frio, o desespero e, muitas vezes, a morte. Muitos irmãos e irmãs perderam a vida no mar, e outros continuam a sofrer em silêncio”, acrescentou.

O Centro de Acolhimento de ‘Las Raíces’ funciona num antigo quartel militar no município de La Laguna e já prestou assistência a mais de 54 mil cidadãos desde a sua abertura em 2021.

“Ouvir as histórias daqueles que fizeram esta viagem de forma completamente desumana e precária, em canoas e barcaças [cayucos e pateras], chegando exaustos às nossas costas, não nos pode deixar indiferentes”, disse o bispo de San Cristóbal de La Laguna, D. Eloy Alberto Santiago, na sua saudação inicial.

O Papa foi ainda saudado pela ministra espanhola da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz.

“Agradeço a colaboração por parte do Governo, das diversas instituições e de tantos homens e mulheres de boa vontade que tornam possível esta ajuda humanitária concreta, que devolve esperança e dignidade a tantas pessoas”, disse o pontífice, no seu discurso.

Leão XIV foi depois cumprimentar vários dos migrantes presentes, tendo pegado numa criança ao colo, antes de entrar numa das tendas do centro, onde se encontrou brevemente com as pessoas ali acolhidas.

Esta etapa insular encerra a primeira visita de Leão XIV à Espanha, uma viagem de sete dias que incluiu passagens prévias pelas cidades de Madrid e Barcelona, além de um encontro com comunidades migrantes em Las Palmas, na jornada de quinta-feira.

OC

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