Carlos Borges, Agência Ecclesia
Hoje, 29 de julho, no calendário litúrgico da Igreja Católica, celebramos a memória obrigatória dos *Santos Marta, Maria e Lázaro, os amigos de Jesus que o acolheram e deram-lhe hospedaria, em Betânia, perto de Jerusalém. É sobejamente conhecida o relato bíblico que levou Marta a ser a padroeira dos hospedeiros, dos cozinheiros e dos nutricionistas.
No Dia Mundial da População, a 11 de julho, o Papa interrompeu o seu descanso de verão, e abriu as portas dos jardins pontifícios, em Castel Gandolfo, para receber cerca de 200 pessoas em situação de vulnerabilidade social, acompanhadas pela Diocese de Roma, e 13 refugiados apoiados pelo Centro Astalli (Serviço dos Jesuítas para os Refugiados).
“Hoje, gostaríamos de construir uma ponte com todos vós, com as vossas famílias e com a sociedade em que desejamos viver, e viver em justiça. Um lugar onde se possam eliminar as causas da pobreza, onde se possam ultrapassar as causas das injustiças que ainda existem no nosso mundo: é esta a Igreja que queremos ser”, explicou.
No Borgo ‘Laudato si’, o programa foi simples, mas com significado, algo como convívio, almoço, celebração e visita, e calhou bem, Leão XIV apareceu “sem um discurso preparado, mas com fome”. E que grande fome tinha o pontífice, na véspera do Dia Internacional da Esperança.
“Fome de justiça;
Fome de caridade genuína;
Fome de uma Igreja que saiba realmente abrir as suas portas, acolher e receber a todos.
Uma Igreja onde haja amor por todos, onde ninguém seja inimigo e onde todos saibamos viver em reconciliação, perdão e paz.”
Imaginemos se o Papa tivesse preparado um discurso, ou se a sua fome ainda fosse maior. Este almoço anual de verão contou com a participação de 35 crianças, e logo no início de um dos vídeos, publicados pelo Vaticano nas redes sociais, vemos Leão XIV a cumprimentar e a conversar com duas delas. Participaram também responsáveis da Cúria Romana e da diocese local, no encontro de verão que nasceu a 17 de agosto de 2025, quando o Papa convidou um grupo de fiéis desfavorecidos da Diocese de Albano para a sua mesa.
“Sempre que nos reunimos, sempre que partilhamos este espírito de encontro à volta da mesma mesa — a única mesa onde Jesus também está presente connosco — estamos verdadeiramente a construir um mundo diferente: um mundo de esperança, um mundo de luz. Muitas vezes, esta realidade é destruída pela violência, pelo ódio e pela discriminação. Trabalhemos juntos e esforcemo-nos sempre por viver esta experiência de Igreja, de justiça, de paz e de amor” – Leão XIV, no ‘Almoço com o Papa 2026’.
Este tema era para estar no artigo do mês passado. No dia a seguir à publicação da mensagem do Papa para o X Dia Mundial dos Pobres (a 15 de novembro em 2026), uma segunda-feira, aterrei em Roma. Uma viagem rápida, de trabalho no Vaticano, no Dicastério para a Comunicação, para conhecer o projeto de digitalização do arquivo que o organismo da Santa Sé está a realizar com a PFU (EMEA) Limited.
Após o jantar, a caminho do hotel, o grupo atravessou a Praça de São Pedro, alguns turistas, algumas fotos. Ao nosso redor, do lado de fora dessa praça mundial, os pobres. Inúmeras pessoas em situação de sem-abrigo, com alguns pertences, sacos, e o cartão como cama e colchão. Alguns a dormir, ou a tentar descansar, outros acordados, na sua vida, a ver quem passa, o chão, o céu…
Sabia que as 12 pessoas mais ricas do mundo têm mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade – cerca de quatro mil milhões de pessoas. O artigo já vai longo, e de textos e conversas está o mundo cheio. Que a fome do Papa Leão XIV seja também a nossa.
«Dai-lhes vós de comer»: No próximo domingo – XVIII do Tempo Comum – temos o Evangelho da multiplicação dos 5 pães e dos 2 peixes, e no final “todos comeram e ficaram saciados”.
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