Avós são um legado de fé, sabedoria e esperança

D. António Luciano, Bispo de Viseu

Foto: Diocese de Viseu

No próximo domingo, 26 de julho, celebramos o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco para nos ajudar a redescobrir e valorizar o papel insubstituível dos avós e dos idosos na Igreja, na família e na sociedade.

Este dia está ligado à memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus. Estes santos ensinam-nos que a espera vigilante e constante, quando vivida na fé, nunca é vazia e estéril.

Da fidelidade a Deus de Joaquim e Ana, nasceu Maria, a cheia de graça, Aquela que há de receber no seu seio o Verbo Encarnado, o Filho de Deus, Salvador e Redentor.

Deste modo, vemos que o projeto de Deus nesta família começa no escondimento, no silêncio, na oração perseverante e na vida simples e humilde da família aberta a um caminho de realização pessoal e de santidade.

Os avós constituem um dos maiores tesouros da família. Neles encontramos uma riqueza de sabedoria, de experiência e de memória, capaz de enriquecer a vida dos filhos e dos netos. São eles que, muitas vezes, transmitem os valores humanos e cristãos, ensinam a importância da fé, fortalecem os laços familiares e ajudam a construir relações marcadas pelo respeito, pelo afeto e pela esperança. Eles são pilares e pontes fundamentais na família.

Muitos avós são hoje o suporte dos filhos, ajudando e cuidando dos netos no projeto educativo e na transmissão da fé às novas gerações. O testemunho dos avós não pode ser desvalorizado, nem desperdiçado, pois é um bem maior para a família e para um equilíbrio sustentável das relações.

Chegam, muitas vezes, a ser desvalorizados, caindo no abandono e na solidão. São ainda vistos como alguém que já fez o caminho, mas que por falta de algum vigor físico e perda de faculdades, é colocado em segundo plano.

A experiência diz-nos o contrário. Os avós e os idosos, como nos mostra o exemplo e o testemunho de São Joaquim e Santa Ana, são importantes na vida familiar, nas relações e na transmissão da fé. Ideias reforçadas na mensagem do Papa Leão XIV para este dia, que tem como título “Eu nunca te esquecerei (Is 49, 15)”, onde apela aos jovens para retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que vivem isolados.

Ajudemos os avós a serem guardiões da memória e da história familiar, da comunidade e da sociedade, através das vivências e da experiência que acumularam ao longo da vida. São esses ensinamentos, transmitidos com amor, dedicação e sabedoria, que continuam a moldar a nossa sociedade e a fortalecer uma Igreja assente nos valores do Evangelho, da solidariedade, do respeito pela dignidade humana, da esperança e da fé. Valorizar os avós é preservar uma herança espiritual e humana, que ilumina o presente e prepara as novas gerações.

Vivamos este dia com alegria, em ambiente de festa e em família. Como Igreja, rezemos pelos avós, idosos e todos aqueles que vivem a vida com dignidade, respeito e amor.

Cuidemos dos avós, dos idosos, dos doentes e vulneráveis, pois a família é a célula base da sociedade e precisa de ser cuidada como um tesouro precioso que se vai construindo ao longo do projeto de vida.

Cuidemos da família, como comunidade de vida, de amor e de serviço. É a “Igreja doméstica”, que deve desenvolver-se através da Pastoral Familiar, um campo de apostolado necessário para a fecundidade e maior bem da humanidade, pensando nas futuras gerações.

Neste dia, prestemos uma verdadeira homenagem a todos os avós e idosos. Que ninguém fique privado do nosso cuidado, da nossa amizade, da nossa compaixão, da nossa gratidão e da nossa oração. Que os exemplos de São Joaquim e Santa Ana inspirem as nossas famílias a serem lugares de fé, de esperança e de amor.

+ António Luciano, Bispo de Viseu

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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