À espera do sucessor, D. José Alves recorda que ouviu em muitas situações «até que enfim alguém vem ter comigo»

Évora, 09 mai 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora afirmou que as pessoas “estão à espera que alguém se lembre delas” e vá ao seu encontro, numa análise a dez anos de visitas pastorais que percorreram a diocese e terminam domingo, 13 de maio.

“A visita pastoral teve esta caraterística do contacto direto com as populações e foi dos aspetos mais gratificantes que pude recolher, resumindo numa expressão: «Até que enfim alguém vem ter comigo», aconteceu em muitas situações”, disse D. José Alves, esta terça-feira.

Num encontro com jornalistas, pelo Dia Mundial das Comunicações Sociais 2018, da Igreja Católica, o arcebispo afirmou que as pessoas “vão-se sentindo isoladas, esquecidas, abandonadas” e isso fez com que percebesse que “a Igreja precisa de uma viragem”.

No próximo domingo, D. José Alves vai encerrar a visita pastoral à Vigararia de Évora com que conclui um périplo por toda a arquidiocese, “uma iniciativa muito positiva” que realizou ao longo dos últimos 10 anos.

Segundo o responsa´vel, esse serviço pastoral foi desenvolvido por uma equipa de colaboradores, com quem reuniu todos os anos, e “permitiu que em todas paróquias houvesse ações de evangelização” e “contactos diretos com as populações”, “nas próprias residências” e nas paróquias.

A Arquidiocese de Évora “é muito grande” e tem muitas coisas boas, mas “também tem muitos problemas, que estão latentes alguns e outros mesmo a fervilhar na própria diocese” e o prelado destacou “dois notórios”.

“Tem a ver com a questão social. A população, na grande maioria, tende para o envelhecimento, a ritmo acelerado, e para redução numérica”, explicou, alertando para as consequências a “nível económico, político e social”.

“Da parte dos governantes a zona do interior e rural vai ficando esquecida, a população corre para a orla marítima”, adiantou, apontando que nas aldeias a população vai ficando “cada vez mais homogénea na parte final da vida”.

Quanto ao âmbito religioso, D. José Alves refere que a frequência habitual das pessoas na Igreja “não diminuiu”, o que “é positivo”.

Neste contexto, o prelado realçou que a ação da Igreja Católica “não se limita aos atos religiosos, de culto”, mas “tem grande intervenção social” com instituições que apoiam “muitos milhares de pessoas”.

D. José Alves que está na arquidiocese de Évora desde 2008 e completou 77 anos, a 20 de abril, apresentou o pedido de resignação ao Papa quando completou 75 anos, de acordo com o número 1 do cânone 401 do Código de Direito Canónico.

“O Santo Padre pediu-me para eu continuar mais algum tempo e eu agradeço ao Santo Padre a prova de confiança que ele deposita em mim”, disse o prelado, em 2017, no final da Missa Crismal, em Quinta-feira Santa.

Esta terça-feira, explicou aos jornalistas que agradece “a Deus ter prologado a vida até esta idade”, ter saúde e acredita que “estará para breve” a nomeação do seu sucessor.

“Não conheço situações em que o bispo emérito esteja na diocese muito para além de dois anos”, observou o arcebispo de Évora, que

O encontro realizou-se no contexto do Dia Mundial das Comunicações Sociais 2018, também a 13 de maio, onde o arcebispo apresentou uma reflexão sobre «fake news e jornalismo» e alertou para a falta de esclarecimento sobre a eutanásia.

CB/OC

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