D. José Alves deixa alertas em encontro com jornalistas

Foto: Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Évora

Évora, 08 mai 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora considerou hoje que a sociedade portuguesa não está “suficientemente esclarecida sobre o que seja a eutanásia” e afirmou que essa a defesa da vida não é “uma questão religiosa”.

“Reduzir o sofrimento para as pessoas, estamos de acordo, mas a morte não é a única maneiraa de reduzir o sofrimento nem a mais digna. Há terapias que podem reduzir os sofrimentos”, disse D. José Alves, num encontro com jornalistas pelo Dia Mundial da Comunicações Sociais da Igreja.

Neste contexto,  o arcebispo de Évora realçou que os cuidados paliativos fizeram progressos que permitem que as pessoas, mesmo nas fases terminais, “possam suportar sem dores lancinantes”.

“Ninguém é dono da vida, essa é a grande questão. A vida não se compra, e não se pode vender, e também não pode por fim quem não a originou”, acrescentou, numa intervenção transmitida online, manifestando-se contra quem quer pôr nas mãos do Estado “a possibilidade de dar fim à vida das pessoas sem mais”.

D. José Alves alertou que quando as pessoas “deixam de ter valor no sentido económico, produtivo” para a sociedade, poderiam deixa de “ter direito de viver”.

“Hoje fala-se das pessoas que sofrem de doenças incuráveis: o que estão cá fazer, pessoas que atingiram uma certa idade e não produzem, o que estão cá a fazer, apenas são peso para a sociedade? Não posso concordar com isso. Este esclarecimento não está suficientemente feito na sociedade”, assinala o arcebispo.

O responsável considera que da Assembleia da República e dos deputados se “espera que sejam os primeiros a cumprir a Constituição”, admitindo que um referendo seria um mal “menor”, se levar a um “esclarecimento muito mais amplo, sereno, aprofundado”.

“As pessoas, todas, têm direito a viver e a sociedade deve fazer o que está ao seu alcance; a vida não é referendável mas entre decidir dentro das paredes da Assembleia e fazer o referendo, este permtiria que todas as pessoas pudessem discutir, ser esclarecidas”, desenvolveu.

Segundo D. José Alves, a “Igreja faz o que pode” mas destaca que a questão da eutanásia “não é da Igreja”, mas da sociedade.

“Entendo que a vida é um bem inaliável, de que ninguém pode dispor”, refletiu.

O encontro entre o arcebispo de Évora e os jornalistas realizou-se no contexto do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, 13 de maio, intitulado ‘«A verdade vos tornará livres (Jo 8,32)». Fake news e jornalismo de paz’.

“As fake news, também é dito [pelo Papa Francisco], fazem grande apelo à emoção”, assinalou D. José Alves, sustentando que na discussão da Eutanásia estas notícias põem “em grande evidência e relevo” a necessidade de “acabar com o sofrimento”.

A Igreja Católica em Portugal publicou a nota pastoral ‘Eutanásia: o que está em jogo? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’ e vai promover entre 13 e 20 de maio a Semana da Vida 2018 sobre ‘Eutanásia… O que está em jogo?’.

CB/OC

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