No âmbito da nova encíclica do Papa, Fernando Magalhães aborda forma como o Externato Frei Luís de Sousa se está a preparar perante novas possibilidades tecnológicas

Lisboa, 05 jun 2026 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), Fernando Magalhães, reconheceu a importância de os alunos desenvolverem a capacidade de pensamento crítico na era da inteligência artificial, comentando a nova encíclica do Papa.
“Já há tanto tempo se falava que uma das competências mais importantes a trabalharmos nos alunos é, de facto, sua consciência crítica e é o trabalho crítico em relação a tanta acriticidade a que são convidados. E, de repente, toda esta situação da inteligência artificial vem intensificar essa necessidade que já se vinha, de alguma forma, trabalhando”, afirmou o responsável.
Na análise ao documento escrito pelo Papa Leão XIV, a que é dedicado o programa 70×7 (RTP2) do próximo domingo, o diácono Fernando Magalhães referiu que a transformação tecnológica veio acelerar a que a formação dos jovens seja mais completa e, acima de tudo, mais preparada para os desafios e efeitos que a IA traz.
O diretor do Externato Frei Luís de Sousa, pertencente à Diocese de Setúbal, aponta que “um dos grandes riscos” que a IA levanta é a preguiça “nas novas e atuais gerações”, bem como as “mais crescidas”.
“Essa é a vigilância que tem de acontecer. De facto, a inteligência artificial, essa dimensão da informação disponível, ocorre em todo o lado. E ocorre de uma forma à qual nós podemos recorrer, como dizíamos há bocadinho, acriticamente, ou, de facto, com o exercício crítico daquilo que nós queremos tomar em relação àquela fonte que nós temos”, referiu.
Sobre a adaptação das escolas à IA, o presidente da APEC destaca que a educação está habituada a preparar o futuro “com muita calma”, mas o Papa vem mostrar é que é necessário agir já perante a realidade das novas ferramentas tecnológicas.
“Temos, de facto, que tomar em mãos aquilo que temos e atuar ponderadamente, é óbvio, mas atuar sem grandes delongas. E é de facto isso que temos como grande desafio entre nós, é não deixar tomar tudo isto em mão, não deixarmos de refletir, mas efetivamente agirmos, atuarmos rapidamente”, disse.
Na carta encíclica intitulada “Magnifica Humanitas”, o Papa salienta que cabe aos pais “o direito fundamental e inalienável de escolher o tipo de instrução e formação a transmitir aos filhos, em conformidade com as suas convicções morais, culturais e religiosas”.

“A Igreja reconhece que a educadora dos seus filhos é a família e que todos os outros demais entram como cooperadores desse processo. Agora, aceitar isto significa aceitar que eles têm o direito da escolha e é isso que nós queremos continuar a acreditar, que alguém um dia ainda há de compreender isso e concretizar e materializar isso”, indica Fernando Magalhães.
Questionado sobre como é que o Colégio Frei Luís de Sousa está a reagir às novas possibilidades tecnológicas e como é que a comunidade se está a adaptar, o diretor indica que esse é um caminho que está a ser desenvolvido.
“Estamos a ver e a acompanhar a forma como o vamos construir, desde logo com uma componente que é imprescindível, que é a preparação dos professores para todo este processo e também a desconstrução e a desmistificação com os alunos e as famílias, exatamente disto”, deu conta.
Neste percurso de preparação, o presidente da APEC relata que, no colégio, duas alunas do 12º ano falaram com estudantes do 3º ciclo sobre a dimensão da inteligência artificial, partilhando “as suas preocupações, as suas alegrias, mas também as suas tensões”.
“Isto é muito interessante fazê-lo com os próprios alunos neste caminho. São caminhos que não estão previamente traçados, são caminhos que se vão traçando, na circunstância porém de que o essencial não se perca”, expressou.
Fernando Magalhães lembrou a recomendação do Governo, publicada a 21 de maio, sobre a integração da IA no sistema educativo português, que realça que a “equidade e o humanismo” como “condições negociáveis”.
“Isto são pilares que não nos podem faltar no horizonte quando trabalhamos a inteligência artificial”, ressaltou.
‘Magnifica Humanitas’ sobre “a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” foi assinada simbolicamente a 15 de maio para assinalar o 135.º aniversário da ‘Rerum Novarum’, encíclica de Leão XIII que inaugurou a chamada Doutrina Social da Igreja.
HM/LJ/OC
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