Bispo de Setúbal exortou a «não ter grandes teorias sobre a importância da presença do Santíssimo», mas a «dar o exemplo pelo testemunho» e pelas «ações»

Setúbal, 04 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, presidiu esta manhã à Missa da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, na Sé diocesana, na qual instituiu 28 Ministros Extraordinários da Comunhão (MEC).
“Sejam este exemplo para os outros, não apenas no que dizem, mas principalmente nos vossos gestos, seja na Eucaristia, seja junto de quem levam a comunhão, seja no vosso dia-a-dia, que sejam gestos de amor para com o próximo e de respeito pelo Corpo e Sangue de Jesus, presente no Sacrário e nas nossas vidas”, pediu o cardeal.
Na homilia enviada à Agência ECCLESIA, o bispo diocesano destacou a disponibilidade dos MEC para a vida de “fazer prolongar a Eucaristia”, seja a ajudar o sacerdote a “distribuir a comunhão”, seja a levar a celebração eucarística “para além do edifício da Igreja, àqueles que por alguma razão não podem participar” nela.
“Isso transforma cada um de vós em algo muito especial e eu agradeço muito que Deus vos tenha provocado, certamente através do padre ou através de alguém, porque é preciso um coração e uma vida, enfim, cristã, verdadeiramente cristã, transparente, que seja poço de bondade”, referiu.
As dioceses portuguesas celebram esta quinta-feira a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, uma festa com raízes medievais que leva milhares de pessoas às ruas, em várias procissões.
D. Américo Aguiar considera que este dia deve fazer a todos refletir “exatamente naquilo que ele significa”, no alimento que é o próprio Cristo que se dá.
Na homilia, o bispo de Setúbal convidou a assembleia a pensar no que faz quando se desloca a uma igreja, referindo que tem a preocupação, sempre possível, de procurar onde é que estará o Santíssimo.
“Às vezes não é fácil porque tem tanta tralha, tantas velas, tantas luzes, tantas não sei o quê, que a gente procura qual delas é que será. Outros é mais fácil, está devidamente individualizado”, mencionou.
O cardeal exortou a procurar “não ter grandes teorias sobre a importância da presença do Santíssimo”, mas a “dar o exemplo pelo testemunho” e pelas “ações”.
“Os pequenos gestos que fazemos, como a genuflexão ou a vénia, ou ainda o tempo de oração que dedicamos, são muito importantes para que nos vamos todos habituando à presença de Deus no sacrário, mas também nas nossas vidas”, sublinhou.
| Numa nota publicada pela Diocese de Setúbal, D. Américo Aguiar, convida os Ministros Extraordinários da Comunhão a considerarem “a possibilidade de assumir também o serviço de Visitadores de Doentes, alargando assim a beleza e a riqueza da missão que já desempenham” nas comunidades.
“Levar a Sagrada Comunhão aos irmãos impedidos de participar na celebração da Eucaristia é um gesto de profundo significado espiritual. Mas a missão da Igreja junto dos doentes não se esgota nesse momento. A visita, a escuta atenta, a oração partilhada, a proximidade humana e a amizade sincera são igualmente formas privilegiadas de manifestar a presença misericordiosa de Cristo e o cuidado materno da Igreja”, escreveu. D. Américo Aguiar assinala que o convite “insere-se no caminho promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral da Saúde e articula-se com a missão desenvolvida pelas Capelanias Hospitalares, que diariamente testemunham a importância da presença cristã junto dos doentes, das suas famílias e dos profissionais de saúde”. O bispo de Setúbal recorda também a nota episcopal que redigiu, intitulada “Cuidar com o Coração”, na qual indica que cuidar é mais do que prestar um serviço: é aproximar-se do outro com compaixão, escutar com atenção, acompanhar com esperança e tornar presente a ternura de Deus nas circunstâncias mais exigentes da vida. “Ao visitarmos os doentes, não levamos apenas a nossa presença; levamos a presença da comunidade cristã e testemunhamos a proximidade de Cristo, que continua a encontrar-Se com cada pessoa nas suas dores, inquietações e esperanças”, enfatizou. |
Já durante a tarde, o cardeal presidiu à procissão do Corpo de Deus pelas ruas da cidade, que juntou mais de um milhar de pessoas.
A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo celebra-se no 60.º dia após a Páscoa, uma quinta-feira, ligando-se assim à Última Ceia; nos países onde não é feriado civil, a celebração assinala-se no próximo domingo.
LJ








