D. José Alves apresentou reflexão sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja

Évora, 08 mai 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora afirmou hoje que “no centro das notícias estão as pessoas”, falando num encontro com jornalistas, pelo Dia Mundial das Comunicações Sociais 2018.

“Não podemos esquecer-nos de que no centro das notícias não estão as estratégias, não devem estar as tecnologias; no centro das notícias estão as pessoas”, disse D. José Alves, numa conferência de imprensa organizada pelo Departamento Arquidiocesano de Comunicação Social.

Na conversa com os jornalistas, o responsável admitiu que nalguns momentos a Igreja “se retrai perante a comunicação social”, mas explicou que “há motivações muito próprias, especiais”, que levam a Igreja a “atuar sem a preocupação que toda a gente saiba”.

Na sede do jornal diocesano ‘A Defesa’, o arcebispo de Évora observou que os jornalistas vivem “de ter notícias, de trabalhá-lhas, de transmitir e dar a conhecer aos outros”, o que “é muito nobre”.

“«A verdade vos tornará livres (Jo 8,32)». Fake news e jornalismo de paz”, é o tema da mensagem do Papa Francisco para a celebração do próximo dia 13 de maio.

“É uma mensagem muito bela, muito abrangente, e que merece verdadeira ser refletida por todos. A difusão das «falsas notícias» está muito facilitada”, referiu D. José Alves, alertando que estas são usadas em “discursos evasivos e subtis” que dificultam o seu reconhecimento.

O arcebispo de Évora explicou que as ‘fake news’ “exploram as emoções” e podem gerar intolerância, promover “o ódio e conduzir à falsidade”, por isso, estão a tornar-se uma espécie de “praga comunicacional”.

Neste contexto, perguntou aos jornalistas se “existe um antídoto para combater” as notícias falsas e acrescentou que, antes de mais, para encontrar esse remédio “é preciso conhecer os interesses que as justificam” e os seus mecanismos comunicacionais.

Para D. José Alves, é necessário um “eficaz processo educativo” a começar nas escolas, “muito cedo, até em família”, na formação dos jornalistas, “na educação para a verdade, educação para paz e educação para a responsabilidade”.

“A libertação da falsidade alcança-se pelo discernimento da verdade, que brota das relações livres entre as pessoas e promove a comunhão interpessoal”, acrescentou ainda na sua reflexão, recordando que os jornalistas, “por deontologia profissional, estão obrigados a ser responsáveis no modo de agir”.

Já na conversa com os jornalistas, o responsável comentou que a comunicação social tem sempre “muitos desafios” mas um dos maiores vai ser lidar com as “novas tecnologias que evoluem de dia para dia, com novas possibilidades”, conseguir usá-las corretamente e colocá-las “ao serviço do bem, da justiça e da verdade”.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II (decreto ‘Inter Mirifica’, 1963).

“Se nem sempre está na vanguarda das tecnologias da comunicação, é porque ou não dispõe dos necessários recursos humanos e económicos ou não alcançou ainda os meios para equacionar os graves problemas que lhes estão associados, de forma a evitar os efeitos negativos por elas gerados”, desenvolve o arcebispo de Évora, sobre a presença da Igreja Católica no setor do media.

Em Portugal, os donativos recolhidos nas Missas dominicais vão revertem em favor dos projetos do Secretariado Nacional das Comunicações e dos vários Secretariados Diocesanos do setor.

A celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais está em destaque nas emissões do programa ECCLESIA na Antena 1 da rádio pública (22h45), até sexta-feira.

CB/OC

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