«Seja qual for a circunstância é sempre a dignidade do ser humano que devemos promover», frisou D. António Moiteiro     

Fotos JCP / Agência Ecclesia

Aveiro, 04 jun 2018 (Ecclesia) – Centenas de famílias, membros do clero e da vida consagrada, e representantes de diversos movimentos católicos da Diocese de Aveiro juntaram-se este domingo no Parque Infante D. Pedro para celebrar o Dia da Igreja Diocesana.

A iniciativa teve como objetivo encerrar de forma celebrativa o “congresso eucarístico” que teve lugar nos últimos dias, centrado na necessidade de “valorizar” mais a Eucaristia como “centro” de toda a vida cristã, “pessoal e comunitária”.

Mas foi ponto de partida para o bispo de Aveiro deixar um conjunto de mensagens relacionadas com a atualidade do país e da Igreja Católica.

D. António Moiteiro referiu-se ao chumbo das propostas de lei sobre a eutanásia, considerando estarmos perante “um sim à vida”, dom e dádiva de Deus que tem de ser preservada “mesmo no final da existência”.

E recordou que “a lei não é o supremo valor”, que há um outro “a que todos os outros se devem subordinar” que “é o bem do ser humano”.

“Seja qual for a circunstância em que se encontre, com saúde ou doente, é sempre a dignidade do ser humano, enquanto imagem e semelhança de Deus, que nós devemos preservar e promover”, sustentou.

O bispo de Aveiro lembrou depois que “são vários os desafios que emergem” hoje, para os cristãos e para a sociedade em geral, aos quais a Igreja Católica, na sua pastoral, é chamada a estar atenta, mas também o Governo e as autoridades nacionais.

Como “a fragilidade de tantas famílias, a precarização do trabalho, a turbulência dos jovens sem horizontes de esperança para o futuro imediato, o envelhecimento da população e a solidão dos idosos, entre tantos outros”.

“Desafios que existem um esforço redobrado, da sociedade e das suas instituições”, frisou aquele responsável.

Sobre a temática da valorização da Eucaristia enquanto centro de toda a vida cristã, D. António Moiteiro ligou-a não só a uma certa perda do significado do Domingo, como dia de descanso, mas também à quebra da importância que as pessoas dão ao “mistério” que ali é celebrado.

“Para além de pedir que os trabalhadores descansem ao domingo e que o domingo não seja preenchido por tantas atividades como temos hoje, o importante é que os cristãos se responsabilizem, se consciencializem do valor da eucaristia semanal como a Páscoa, a Páscoa cristã. E este é o trabalho que temos a fazer, porque se eu o fizermos, o domingo terá outra dimensão”, completou o bispo.

Sobre esta última temática, Florinda Lopes, ligada à Infância Missionária de Aveiro, destaca um trabalho que tem de passar pelas estruturas da Igreja, “dos padres, do Papa”, mas que deve começar em casa, nas famílias.

“O que me faz estar ainda hoje aqui foi o ter uma família unida em casa, em que íamos à missa com os nossos avós, com os nossos pais. Hoje em dia os nossos pais querem o domingo para descansar e não levam os filhos”, aponta aquela responsável, que encontra as mesmas dificuldades no movimento ao qual está ligada.

“As crianças estão, querem estar, mas os pais não as levam. Portanto temos que criar dinâmicas para que estes jovens e crianças voltem e venham para a Igreja”, salienta.

Como referiu o casal Almeida, que veio da Paróquia de São Bernardo com os seus três filhos, é conseguir “viver um bocadinho contracorrente”.

“Tentamos passar os valores cristãos aos nossos filhos, que muitas vezes não é fácil porque até nos sítios onde eles se movimentam, hoje em dia, sentimos que a fé já não está tão presente e mesmo as famílias também já se organizam de outra forma”, frisa a mãe.

“A procura deve ser de ambas as partes e a Igreja também deve procurar chegar mais perto”, completou o pai.

Do lado do clero falou o padre Leonel Abrantes, responsável pelos setores da Pastoral Juvenil e Universitária da Diocese de Aveiro.

O sacerdote admitiu que o afastamento que se verifica atualmente entre as pessoas e a Igreja está ligado também a uma certa “dificuldade na transmissão” da mensagem cristã à sociedade, em particular aos jovens.

Daí que momentos como este dia de festa, da Igreja Diocesana, sejam fundamentais.

“A Eucaristia é também suposta ser esta festa que procuramos hoje mostrar. Mais velhos, mais novos, crianças, jovens, adultos, todos juntos em torno da Eucaristia que é esta presença de Deus junto de nós”, sustentou.

No meio da forma “vertiginosa” como as pessoas hoje são levadas a viver a vida, visível sobretudo no meio do trabalho, a Igreja Católica é chamada também a ser um convite a “parar, a serenar”, acrescentou o padre Leonel Abrantes.

Neste Dia da Igreja Diocesana de Aveiro, também tivemos oportunidade de falar com os mais novos, para perceber de que forma é que eles olham para a realidade atual da Igreja e da vivência da fé.

Gonçalo Salgueiro, ligado ao Movimento dos Convívios Fraternos, destacou a importância de momentos como este que foi vivido no Parque Infante D. Pedro, para entusiasmar mais as novas gerações.

“Ver que estamos aqui representados das paróquias todas é uma alegria enorme. A Igreja é isto, é nós sairmos da nossa casa, neste caso dos nossos movimentos, e dar este testemunho a qualquer um que apareça no nosso caminho”, referiu.

Já Luciana Correia, que é catequista, defendeu a necessidade da Igreja “chamar os jovens porque eles sozinhos não vão lá”.

Até porque “hoje em dia os jovens vivem o domingo de forma muito diferente”, sendo um “dia de muita coisa que muitas vezes não é Eucaristia”.

No final deste Dia da Igreja Diocesana, o bispo de Aveiro celebrou o envio de diversos voluntários missionários que no Verão irão realizar missões em vários países, de solidariedade e de ajuda mútua.

JCP

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