Corpo de Deus: Celebração afirma que presença real de Cristo «não é para ficar presa dentro das paredes da igreja»

Joana Viana Lopes afirma que participar na Primeira Comunhão neste dia ajuda colocar no centro «o Cristo que se dá em alimento»

Joana Viana Lopes

Lisboa, 04 jun 2026 (Ecclesia) – A teóloga Joana Viana Lopes valorizou a celebração da Primeira Comunhão no Dia do Corpo de Deus e afirmou que a expressão pública do Santíssimo Sacramento, nomeadamente nas procissões, apela a “aprender a viver a partir da Sua presença real”.

“A fé, nem a presença de Cristo, não é para ficar presa dentro das paredes da igreja, nem mesmo hoje em dia corremos esse risco na nossa própria interioridade. É para ter uma expressão pública, porque acreditar em Jesus é mais do que simplesmente acreditar num conjunto de verdades e de conhecimentos, é aprender a viver a partir da sua presença real no meio de nós”, afirmou em entrevista emitida esta quinta-feira, no programa Ecclesia, na RTP2.

Joana Viana Lopes lembrou que a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que se celebra esta quinta-feira, afirma “a importância e o sentido da Eucaristia” para os crentes e a sua dimensão pública através das procissões confirma que não é “algo do passado”.

A teóloga sublinhou que a “manifestação pública desta crença e desta fé de presença de Jesus Cristo é real” e desafia os crentes a rejeitar a “atitude de ficarem fechados sobre si mesmos”, antes “levarem esta presença, que na Eucaristia recebem, para o mundo, para anunciar e para se abrir aos outros”.

Joana Viana Lopes recordou que a celebração do Corpo de Deus foi instituída por Urbano IV, em 1264, que esteve em Liége, cidade situada na atual Bélgica, antes de ser Papa, onde  “havia um verdadeiro cenáculo eucarístico” e a Igreja “vivia num caminho de aprofundamento e de clarificar o que era esta presença real, por algumas controvérsias teológicas que existiam”.

Para a entrevistada, Urbano IV quis instituir uma festa que “especificamente traz a Eucaristia para o centro” e, apesar de todos os dias o sacramento da Eucaristia ser “celebrado com solenidade”, seria “justo que uma vez ao ano se lhe dê maior honra e glória, que se lhe dê uma atenção especial”.

“Haver um dia que nos diz: hoje é o dia de contemplarmos este mistério, de ir mais ao fundo, de parar a vida para contemplar este Cristo que se oferece na cruz, que ressuscita, que se dá em amor para a nossa salvação e que se deixa ficar como um alimento;

não é algo que aconteceu no passado, não é simplesmente uma memória de um acontecimento, mas é uma vivência constante dessa presença de Cristo que está no meio de nós”, acrescentou.

Joana Viana Lopes recordou o apelo deixado pelo Papa Francisco de, a partir da Eucaristia, comprometer-se com o “serviço aos pobres”, referindo também que Leão XIV sublinha “a dimensão missionária de uma Igreja que, recebendo a presença de Cristo, é enviada ao mundo com essa presença para o anunciar”.

Joana Viana Lopes referiu-se ainda à celebração da Primeira Comunhão no Dia do Corpo de Deus, afirmando que “recebe um ênfase especial porque é no dia em que se celebra a Eucaristia que se leva a criança a celebrar, pela primeira, vez este sacramento”

“Acho que, em termos pastorais, nos ajuda muito a percecionar que o centro não é a criança nem a festa familiar que vem depois, mas que o centro é sempre, primeiro, o Cristo que se dá em alimento e, quase sem querer e muitas vezes involuntariamente, quando não é festejado neste dia, é muito mais fácil transferir para a criança o protagonismo do dia do que fazer com que o centro seja Cristo”, afirmou.

Na entrevista emitida esta quinta-feira no programa Ecclesia, na RTP2, Joana Viana Lopes valorizou também a participação das crianças, após a Primeira Comunhão, nas procissões, mostrando uma “continuidade muito natural” entre o acolhimento de Cristo e o compromisso de o “levar para o dia a dia”.

“A primeira comunhão não é um fim. É a primeira de muitas comunhões e o centro está mesmo nisto, na comunhão com Cristo e com a comunidade que é a Igreja”, concluiu.

PR

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