D. José Cordeiro recordou 5.º Congresso Eucarístico Nacional, em 2024, e aludiu à primeira carta encíclica do Papa Leão XIV, na Sé Primaz

Braga, 04 jun 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga apresentou hoje a celebração eucarística como o lugar que oferece tudo para uma vida plena, na Missa da solenidade do Corpo de Deus, a que presidiu hoje na Sé Primaz.
“Na Eucaristia encontramos tudo o que precisamos para uma vida em plenitude, a qual será completa na vida eterna; e porque pela Eucaristia o Senhor continua a atuar na história humana, transformando-a para que seja cada vez mais próxima do Reino de Deus”, afirmou D. José Cordeiro, na homilia publicada no site da arquidiocese.
As dioceses portuguesas celebram esta quinta-feira a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, uma festa com raízes medievais.
Na intervenção, D. José Cordeiro partiu de um dos versículos da Bíblia que denominou como dos “mais desafiantes do evangelho segundo João”: “Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós”.
“Escandalizou muitos dos que ouviam Jesus a ponto de até alguns discípulos deixarem de seguir o Senhor. Passados dois mil anos, continua a ser desafiante para nós acreditar que a Eucaristia é presença real e verdadeira do Senhor Jesus entre nós”, referiu.
O arcebispo de Braga dirigiu depois uma pergunta à assembleia – Porque é que temos necessidade de comungar e adorar o Senhor? – respondendo, de seguida, que a “Eucaristia é o centro de toda a vida cristã” e nela se tem “acesso privilegiado ao Senhor e aos dons que Ele quer dar a cada um dos seus filhos”.
“Quando comungamos somos nós que somos transformados pelo pão eucarístico. O Senhor em nós fortalece-nos e impele-nos a imitá-Lo no amor a todos, combatendo o mal e tudo o que não dignifica o ser humano”, salientou.
D. José Cordeiro recordou que quando se adora o Senhor, não se contempla “apenas uma hóstia branca”, estando-se “diante Dele para O escutar”, para lhe falar da vida da própria vida.
“Mas na adoração somos, sobretudo, chamados a comungar, porque, como ensina a Igreja, a exposição do Santíssimo para adoração tem de conduzir à íntima união com Ele através da comunhão eucarística na missa”, acrescentou.
Na homilia, o arcebispo de Braga recordou a realização do 5.º Congresso Eucarístico Nacional (5.º CEN), que se realizou de 31 de maio a 2 de junho de 2024, referindo que os frutos desta edição “continuam a frutificar” na Arquidiocese.
Depois de retomarmos a adoração eucarística em todos os dias do ano em pelo menos uma paróquia da Arquidiocese; havendo mais igrejas de portas abertas para que os fiéis possam entrar e rezar; no dia de hoje, na cidade de Braga e após a procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade bracarense, mais uma igreja inicia a adoração perpétua: nas vinte e quatro horas do dia, em todos os dias do ano”, indicou.
Segundo o arcebispo de Braga, “na igreja paroquial de São João do Souto, um grupo de pastores e de fiéis organizou-se de modo a garantir a presença de pessoas, noite e dia, a adorar o Senhor sacramentado”.
“O caminho de aplicação das conclusões do Congresso continua até que todos percebamos a ‘centralidade da Eucaristia na vida dos crentes e a missão confiada a cada um que comunga o Corpo de Jesus, de ser esperança no mundo e para o mundo, numa época desafiante e de vertiginosas transformações’, disse citando as conclusões do 5.º CEN.
No final da homilia, o também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa realçou que o “Senhor quer e quererá sempre” o bem de todos: “É por isso que quis ficar entre nós, na presença permanente no pão consagrado”.
D. José Cordeiro fez ainda referência à primeira encíclica do pontificado do Papa Leão XIV.
“E neste tempo profundamente desafiante, nomeadamente através dos dilemas que a inteligência artificial coloca ao ser humano, é fundamental não esquecermos a importância da Eucaristia”, assinalou.
“Como escreveu o Papa Leão XIV na carta encíclica Magnifica Humanitas: “A Eucaristia abre-nos à justiça e à partilha, com uma atenção preferencial para com quem carrega o fardo da pobreza e da marginalização”, lembrou o arcebispo de Braga.
A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo celebra-se no 60.º dia após a Páscoa, uma quinta-feira, ligando-se assim à Última Ceia; nos países onde não é feriado civil, a celebração assinala-se no próximo domingo.
LJ
