África: Papa conclui visita aos Camarões marcada por denúncia da corrupção e da guerra

Segunda etapa da viagem-maratona levou Leão XIV ao epicentro do conflito armado

Foto: Lusa/EPA

Iaundé, 18 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV concluiu hoje a sua visita aos Camarões, iniciada na quarta-feira, onde denunciou a “chaga da corrupção” e deixou apelos à paz nas regiões fustigadas por conflitos armados.

“A África precisa de ser libertada da chaga da corrupção”, afirmou o pontífice na Universidade Católica da África Central.

A mensagem tinha sido deixada no primeiro dia de visita, junto do presidente Paul Biya, no poder desde 1982.

A segunda etapa da maior viagem do pontificado foi marcada pela proximidade às vítimas e pelo desafio às novas gerações para que protagonizem a mudança social e ética no país.

O Papa alertou para as “devastações ambientais e sociais provocadas pela busca desenfreada de matérias-primas e terras raras”, pedindo o fim da exploração do continente africano.

Em Bamenda, região anglófona no noroeste, Leão XIV encontrou-se com vítimas da guerra e dirigiu críticas aos responsáveis pela violência que assola o país.

“A paz deve prevalecer sobre os senhores da guerra que usam o nome de Deus”, sustentou, condenando o uso da religião para justificar o terror e a opressão.

Na capital económica, Douala, o Papa presidiu a uma Missa onde defendeu que a solução para a fome e a injustiça reside na partilha ética dos recursos.

“Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa”, disse perante mais de 100 mil pessoas.

A visita incluiu momentos de carga humanitária, com passagens por um orfanato e uma unidade hospitalar gerida pela Igreja local, onde o Papa denunciou a exclusão social.

Leão XIV apelou à erradicação da “indiferença” perante as crianças vulneráveis e ofereceu conforto individual aos doentes do Hospital Católico de São Paulo.

O compromisso com o diálogo inter-religioso foi renovado num encontro com líderes muçulmanos, onde o Papa defendeu o reconhecimento da dignidade comum.

A Missa conclusiva foi celebrada esta manhã no Aeroporo de Iaundé, de onde o pontífice parte para Angola.

“Povo de Deus que vives e caminhas nos Camarões: não tenhas medo, permanece firmemente unido a Cristo, o Senhor. Com a força do seu Espírito, serás sal e luz desta terra”, referiu Leão XIV, na sua mensagem final.

A viagem internacional iniciada na segunda-feira é a maior do pontificado, até ao momento, prolongando-se até 23 de abril, com etapas na Argélia, Camarões, Angola e Guiné-Equatorial.

OC

 

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