Viagem prossegue nos Camarões, onde Leão XIV vai deslocar-se a zona de guerra
Argel, 15 abr 2026 (Ecclesia) –Leão XIV concluiu hoje a primeira visita de um Papa à Argélia, após dois dias de intervenções marcadas pela denúncia da violência e apelos ao diálogo inter-religioso.
Antes de deixar a capital argelina, no Papa ealizou uma breve visita à Creche ‘Notre Dame d’Afrique’, gerida pelas Missionárias da Caridade.
O pontífice assistiu a um pequeno espetáculo preparado pelas crianças e saudou a comunidade religiosa antes de seguir viagem para o Aeroporto Internacional Houari Boumédiéne.
Na cerimónia oficial de despedida, o Papa foi recebido pelo presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, com quem manteve um breve encontro privado que antecedeu as habituais honras militares e protocolares.
O voo papal descolou às 10h16 (hora local, mesma em Lisboa).
Na última celebração pública, esta terça-feira, o pontífice alertou para a “espiral negativa” de violência no mundo, reiterando a urgência de as nações alcançarem a paz.
As mensagens de Leão XIV em favor da paz foram particularmente escrutinadas pela opinião pública internacional após as críticas dirigidas contra o Papa pelo presidente dos EUA, Donald Trump, às quais o pontífice reagiu no voo entre Roma e Argel.
Desde segunda-feira, a agenda papal procurou reforçar as pontes entre o Cristianismo e o Islão, num esforço simbolizado pela visita à Grande Mesquita de Argel.

“Sabemos — e este encontro de hoje é a prova disso — que podemos aprender a respeitar-nos mutuamente, a viver em harmonia e a construir um mundo de paz”, disse Leão XVI, num encontro com o reitor da instituição.
O drama das rotas migratórias assumiu particular destaque no discurso perante os responsáveis políticos, no qual o Papa exigiu o fim da especulação com a vida humana e a proteção dos mais vulneráveis.
“Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia”, declarou.
A deslocação teve um profundo significado pessoal para o Papa, que visitou a antiga Hipona (Annaba) para evocar o legado espiritual de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja que viveu entre os séculos IV e V, no antigo Império Romano.
Leão XIV foi responsável mundial pela Ordem de Santo Agostinho e, enquanto religioso, já tinha visitado a Argélia.
O roteiro valorizou o contacto direto com o trabalho social desenvolvido pela minoria católica (0,002% da população).
A viagem apostólica a África, a mais longa do atual pontificado, prossegue hoje nos Camarões, contemplando ainda passagens por Angola e pela Guiné Equatorial até ao próximo dia 23 de abril.
A segunda etapa da viagem apostólica ao continente africano tem uma agenda que privilegia o contacto com as vítimas do conflito armado e as periferias sociais.
O núncio apostólico nos Camarões e Guiné Equatorial, o arcebispo luso-canadiano D. José Avelino Bettencourt, destacou à Agência ECCLESIA o impacto da presença do pontífice no país, em particular a passagem por Bamenda, uma “zona de guerra” na região anglófona, e o encontro com as populações mais vulneráveis.
A chegada ao Aeroporto Internacional de Iaundé-Nsimalen está prevista para as 15h20 (hora local, a mesma em Lisboa), onde o líder da Igreja Católica será acolhido pelo primeiro-ministro Joseph Dion Ngute.
O programa do primeiro dia contempla uma visita de cortesia ao presidente da República, Paul Biya, no Palácio da Unidade, seguida do encontro formal com as autoridades políticas, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio dos Congressos.
A jornada encerra-se com uma visita ao Orfanato Ngul Zamba, instituição que acolhe jovens e crianças com graves carências materiais e económicas, e um encontro privado com os bispos do país.
Na quinta-feira, Leão XIV desloca-se a Bamenda, no noroeste do país, território marcado pela designada “crise anglófona” e pelo violento conflito entre forças governamentais e grupos separatistas, que já provocou milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados.
Na Catedral de São José, o Papa vai presidir a um encontro pela paz com a comunidade local, escutando os testemunhos de líderes religiosos (incluindo o imã da Mesquita Central), famílias de deslocados e autoridades tradicionais, num momento que culmina com a libertação simbólica de sete pombas.
Durante a tarde, o pontífice preside a uma Missa pela paz e pela justiça no aeroporto de Bamenda, perante cerca de 20 mil fiéis.
A agenda de sexta-feira concentra-se em Douala, onde o Papa preside à Eucaristia junto ao Estádio Japoma, estimando-se a presença de mais de meio milhão de pessoas.
Na capital económica dos Camarões, Leão XIV visita de forma privada o Hospital Católico Saint Paul, antes de regressar a Iaundé para um encontro ao final da tarde com os estudantes e docentes da Universidade Católica da África Central.
A etapa camaronesa conclui-se na manhã de sábado, com uma Missa votiva dedicada à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, no Aeroporto de Iaundé-Ville, perante 20 mil pessoas.
Após a celebração e a cerimónia de despedida oficial, Leão XIV parte pelas 12h30 rumo a Luanda, para iniciar a terceira fase do seu périplo africano, a maior viagem do pontificado, até ao momento.
OC
