Leão XIV desafia jovens a protagonizar mudança e defende pede formação de «consciências livres», na Universidade Católica da África Central

Iaundé, 17 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje a “chaga da corrupção” no continente africano, desafiando as novas gerações a promover verdadeiras mudanças, a partir de uma formação de “consciências livres”.
“A África precisa de ser libertada da chaga da corrupção. E, para um jovem, essa consciência deve consolidar-se desde os anos de formação, graças ao rigor moral, ao desinteresse e à coerência de vida dos seus educadores e professores”, disse Leão XIV, num encontro com a comunidade académica da Universidade Católica da África Central, em Iaundé, Camarões.
Falando em francês, o pontífice aludiu à importância de apresentar o pensamento católico em contextos “marcados por injustiças, desigualdades, conflitos, degradação material e espiritual”.
O Papa dirigiu-se às centenas de participantes no encontro, desejando que a instituição académica saiba “formar pioneiros de um novo humanismo no contexto da revolução digital”, antes de denunciar “as devastações ambientais e sociais provocadas pela busca desenfreada de matérias-primas e terras raras.
“Tudo isso vale, com renovada força, em relação à difusão dos sistemas de inteligência artificial, que moldam cada vez mais profundamente os nossos ambientes mentais e sociais”, acrescentou.
O pontífice destacou o papel das instituições de ensino superior, em particular as católicas, pedindo que sejam “verdadeiras comunidades de vida e investigação, que introduzam estudantes e docentes a uma fraternidade no saber”.
O discurso alertou para a perda de referências espirituais e éticas nas sociedades contemporâneas e para o crescimento do individualismo.
“Enquanto muitos no mundo parecem perder os seus pontos de referência espirituais e éticos, encontrando-se aprisionados no individualismo, nas aparências e na hipocrisia, a Universidade é, por excelência, um lugar de amizade, cooperação e, ao mesmo tempo, de interioridade e reflexão”, sublinhou.
Leão XIV encorajou os jovens africanos a investirem os conhecimentos adquiridos no progresso das próprias nações, respondendo à tendência migratória.
“Convido-vos, em primeiro lugar, a responder com um ardente desejo de servir o vosso país e de colocar, em benefício dos vossos concidadãos, os conhecimentos que aqui estais a adquirir”, apelou aos alunos.
Formar consciências livres e santamente inquietas é condição para que a fé cristã apareça como uma proposta plenamente humana, capaz de transformar a vida dos indivíduos e da sociedade, de desencadear mudanças proféticas face aos dramas e às pobrezas do nosso tempo e de encorajar uma busca de Deus sempre maior e nunca saciada.”

Nas suas palavras de saudação, o reitor da universidade, Thomas Bienvenu Tchoungui, assinalou o 35.º aniversário da instituição e anunciou a criação de uma nova valência académica vocacionada para a mediação, a “Casa de Confiança para a Paz”.
Representantes dos estudantes manifestaram gratidão pela visita e deixaram pedidos diante do Papa.
“Muitos estudantes talentosos enfrentam significativas dificuldades financeiras. Esperamos um maior apoio aos programas de bolsas de estudo, para que a falta de recursos nunca seja um obstáculo à vocação intelectual e profissional”, disse a porta-voz dos alunos, numa intervenção muito aplaudida.
A passagem do pontífice pelos Camarões conclui-se na manhã de sábado, com uma Missa votiva dedicada à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, no Aeroporto de Iaundé-Ville, perante 20 mil pessoas.
A viagem apostólica a África, iniciada esta segunda-feira na Argélia, contempla ainda passagens por Angola e pela Guiné Equatorial até ao próximo dia 23 de abril.
OC
