África: Leão XIV disse ao continente que «a paz é sempre um caminho, e é possível» – padre Andrew Prince

Missionário espiritano destacou também que a mensagem de alegria e de esperança é uma «grande marca» nos países visitados

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 23 abr 2026 (Ecclesia) – O padre Andrew Prince, missionário Espiritano natural do Gana, considera que o Papa “se sentiu bem feliz” na sua primeira viagem apostólica a África, onde partilhou mensagens de “reconciliação, da paz, de esperança para o povo” de quatro países.

“Estatisticamente, a Igreja Católica no continente africano tem um grande crescimento, e a faixa etária são mais juvenis. Esta visita, eu acho que vai ajudar a Igreja a tomar a sério o seu caminho da fé, no sentido da pertença, do compromisso, e também na promoção da dignidade humana”, disse o capelão da Comunidade Africana em Lisboa, esta quinta-feira, 23 de abril, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A viagem internacional mais longa do pontificado de Leão XIV teve a duração de 11 dias; o Papa visitou a Argélia, os Camarões, Angola e a Guiné Equatorial, de 13 a 23 de abril.

“Não é só nesses países que o Papa visitou, olhamos 50 países há sempre algo que tem que ser mudado, mas é um bom caminho. Também olhamos para a receção que o Papa teve, disse que é peregrino, e quer lançar uma mensagem: a mensagem da reconciliação, da paz”, salientou o padre Andrew Prince.

O missionário espiritano recorda que “a paz” foi “a primeira palavra” de Leão XIV, quando foi apresentado na varanda do Vaticano após a eleição, no dia 8 de maio de 2025, e começou a pedir que se largue as armas, para avançar “com um projeto que leva à construção da paz”.

Agora, o Papa quer dizer ao continente africano que, apesar de tudo, da pobreza, também das riquezas que nós possuímos, em termos de talentos, pessoas humanas, a paz é sempre um caminho e é possível.”

“Muitas vezes, vejo que a nossa maior dificuldade está aí. Escutamos, agora temos de pôr em prática, e ver as implicações das nossas ações: O respeito é fundamental. O ser humano é sempre importante. Não é porque aqui há pobreza, aqui há riqueza, mas o que define a dignidade humana é ter criado uma imagem semelhante a Deus”, desenvolveu.

O missionário espiritano destacou também que a mensagem de alegria e “de esperança para o povo” do Papa é uma “grande marca” que fica nos quatro países que visitou, até esta quinta-feira, o Papa sentiu a “necessidade” de levar “luz para toda a população, para todo o mundo”.

Na Argélia, o primeiro país a ser visitado, para além de uma viagem aos “passos de Santo Agostinho”, o Papa abordou “a questão de diálogo religioso, que não há necessidade de guerra entre religiões”, nos Camarões, “um país que está quase dividido entre duas línguas”, Leão XIV lembra “que o conflito não leva a nenhum sítio”.

“Vivemos no mesmo país, somos um único povo, e não podemos pensar que quem fala inglês é superior a quem fala francês; depois, o Papa vai a Angola, certamente, também sentiu este apelo sério à paz, a desigualdade, a reconciliação interna, que é fundamental para o povo angolano”, acrescentou o padre Andrew Prince, destacando que na Guiné Equatorial, “um país com vários problemas”, como “os direitos humanos”, tem “uma riqueza enormíssima, também de recursos materiais e humanos, mas que não são bem valorizados”.

Quanto ao Papa, ao longo destes 11 dias, o padre Andrew Prince considera que Leão XIV “se sentiu bem feliz”, como superior-geral da Ordem de Santo Agostinho já tinha uma “dimensão da cultura africana” onde “a forma de viver a fé é mais emocional”, as pessoas vão ao culto, vão à igreja, e não têm “tempo limitado” para as celebrações.

“E o Papa viu isso, ele sentiu mesmo a felicidade. Em Angola, cada vez que entrava em algum sítio, ele acolhia a criança, vê as mulheres. Assistimos, na sua despedida, as mulheres alinhadas na rua, todos a cantar, a dançar. E vê-se essa alegria no rosto do Papa”, observou o capelão da Comunidade Africana em Lisboa.

PR/CB/OC

África: Papa conclui primeira viagem ao continente, depois de denunciar exploração e apelar à defesa da dignidade de todos

 

Partilhar:
Scroll to Top