Na Diocese de Angra, sacerdote jesuíta explicou que o Evangelho é «uma força», mas é dito «em formas que perderam relevância cultural»

Ponta Delgada, Açores, 23 abr 2026 (Ecclesia) – O padre José Frazão Correia afirmou que o Evangelho “é uma força”, mas dizem-no “em formas que perderam relevância cultural”, na conferência ‘o Cristão na cidade de hoje’ , esta quarta-feira, iniciativa da Diocese de Angra, em Ponta Delgada.
“Precisamos de perguntar o que é mais belo, mais importante e mais necessário no Evangelho; não é apenas uma questão de palavras, é uma questão de forma, de modo de fazer”, disse o sacerdote jesuíta, na conferência na igreja do Colégio, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’.
A conferência ‘Cristão na cidade de hoje’ inaugurou um ciclo de quatro reflexões “a partir dos desafios contemporâneos” promovidas pelo Instituto Católico de Cultura (ICC) da Diocese de Angra, na igreja do Colégio, em Ponta Delgada (Ilha São Miguel).
O padre José Frazão Correia, que tem desenvolvido reflexão e investigação “sobre o lugar de Deus nas cidades contemporâneas”, assinalou que “os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes”, salientando que a fé cristã não se vive à margem da sociedade, mas dentro dela, partilhando os mesmos contextos culturais, sociais e humanos.
“A cultura digital fez com que o mundo se tornasse essencialmente urbano; a cidade não nos é estranha, é a nossa cidade. A cultura não nos é estranha, é a nossa cultura”, referiu o sacerdote, diretor da revista ‘Brotéria’ dos jesuítas.
Segundo o orador, “a irrelevância cultural do Evangelho gera indiferença”, e alertou para o risco de a Igreja fechar-se numa “bolha de autoproteção ou de lamento”, insistiu na importância de olhar para as periferias – sociais, económicas e existenciais – como lugar privilegiado da ação cristã.
“Temos uma força, que é o Evangelho, mas dizemo-la em formas que perderam relevância cultural”, acrescentou o padre José Frazão Correia, realçando que é necessário identificar “o que é mais essencial, mais belo e mais necessário”.
Outro desafio, na conferência ‘Cristão na cidade de hoje’, foi a relação com a sociedade plural, e perguntou: “Os outros que nos veem de fora, o que é que veem de nós? E aquilo que veem é aquilo que queremos mostrar?”.
“O primeiro contacto não deve ser o do juízo, mas o do encontro; mais do que trazer a vida à Igreja, cabe-nos levar o Evangelho à vida”, referiu o padre José Frazão Correia, que criticou uma linguagem cristã marcada pelo moralismo ou pela repetição de fórmulas vazias, e propôs uma “gramática da abundância”, informa o sítio online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
Com este ciclo de conferências, o Instituto Católico de Cultura pretende “fomentar o diálogo entre a fé e a cultura”, a partir dos desafios contemporâneos que marcam “o mundo e a Igreja”, “temas atuais e pertinentes”.
O ICC, com 34 anos de existência, é uma instituição eclesial ao serviço da Diocese de Angra com uma missão específica na área da cultura e da formação, “visando uma presença cristã transformadora do mundo”.
CB/OC
