À Fundação AIS explicou que a guerra fez com que «muitas pessoas percebessem que o carisma da Igreja é apelar à paz e à coexistência»
Lisboa, 04 ago 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Baalbek Deir El-Ahmar, eparquia maronita católica no Líbano, afirmou que pertence “a uma geração que não conheceu nada além da guerra”, mas procura fomentar a esperança, manter a evangelização, acolher refugiados, e conviver com xiitas.
“Tenho 66 anos; pertenço a uma geração que não conheceu nada além da guerra. Nunca teria sobrevivido à situação pela qual o Líbano está a passar senão fosse Jesus”, disse o arcebispo Hanna Rahme, à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), em visita à sede internacional da organização na Alemanha.
O responsável da eparquia maronita católica de Baalbek Deir El-Ahmar, a 100 quilómetros de Beirute, capital libanesa, realçou que tem “muita sorte, esperança”, mas não imagina “como deve ser para as pessoas passarem por isto sem Jesus nas suas vidas”.
“A violência, que no início visava os xiitas, alastrou-se aos cristãos. Ainda hoje bombardearam uma aldeia cristã no sul. Todos queremos acabar com o terrorismo, mas esta violência não é a resposta. Pedimos à ONU que supervisione o diálogo”, acrescentou o arcebispo, na informação enviada à Agência ECCLESIA, esta terça-feira (4 agosto), pelo secretariado português da AIS.
A fundação pontifícia contextualiza que a coexistência com os xiitas se tornou um desafio para ver Deus a agir no meio da guerra, porque, no início, muitos cristãos tiveram dificuldade em acreditar que os xiitas, que consideram responsáveis pela guerra, os procurassem à procura de ajuda, mas a Igreja acolheu-os de braços abertos, e, segundo o arcebispo maronita Hanna Rahme isso levou a algumas conversões.
“A guerra fez com que muitas pessoas percebessem que o carisma da Igreja é apelar à paz e à coexistência, mesmo quando outras vozes promovem a violência. É uma perspetiva completamente diferente e, quando a situação se estabilizar, espero que muitos deem esse passo, apesar do risco de perderem o emprego ou as suas famílias, porque as pessoas estão a perceber este contraste”, desenvolveu.
A AIS está a apoiar mais de 33 mil crianças e jovens, em 407 acampamentos de verão, de 11 países, e o responsável religioso destaca os “acampamentos para jovens de todo o Líbano, bem como da Síria”, que “é uma das tarefas mais importantes da Igreja”.
“O colapso económico levou ao desespero, e as drogas tornaram-se uma fuga fácil e recorrente, especialmente entre os jovens libaneses deslocados. Nos acampamentos, damos-lhes sentido e esperança. Não é uma tarefa fácil. Atualmente, a maioria dos jovens libaneses nem sequer consegue pensar em casar e tornar-se independente; esperamos dar-lhes esperança, e encorajá-los a permanecer no país”, desenvolveu.
O arcebispo maronita Hanna Rahme também comentou a atual situação politica na Síria, após 13 anos de guerra – de 2011, até a queda do regime de Bashar al-Assad, a 8 de dezembro de 2024 –, que indica que os refugiados sírios vão começar a regressar a casa, onde “os sunitas sentem-se seguros sob o novo Governo, mas muitos alauítas, xiitas e cristãos preferem permanecer” no Líbano.
A eparquia maronita católica Baalbek Deir El-Ahmar acolhe a Congregação dos Monges de Beit Maroun, Servos do Cedro do Líbano, que foi fundada em 2019 e tem três sacerdotes e 20 irmãos, um dos seus votos é a evangelização; para o arcebispo é importante uma formação adequada, nomeadamente na universidade, e destaca que “o apoio da Fundação AIS se torna essencial”, têm “15 irmãos a estudar”, novas vocações, e “cinco noviços irão em breve estudar”.
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