Leão XIV lançou apelos à justiça e superação de conflitos, em visita marcada pelo entusiasmo da população

Luanda, 21 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa conclui hoje a sua primeira visita a Angola, marcada por apelos à construção de uma nova cultura de justiça social e à superação dos conflitos.
Leão XIV foi acompanhado, desde a tarde de sábado, pelo entusiasmo das multidões que acompanharam ao longo da sua passagem por Angola, Muxima e Saurimo, evocando em diversas ocasiões as feridas da guerra civil e denunciando o impacto destrutivo da exploração dos recursos naturais.
“A África tem uma necessidade urgente de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”, disse.
Perante as autoridades políticas e o corpo diplomático, o Papa alertou para as consequências das dinâmicas económicas que visam apenas o lucro.
“Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista”, lamentou.
A urgência de uma renovação ética esteve no centro da homilia dominical proferida no Kilamba, arredores de Luana, onde o Papa desafiou a sociedade a construir um futuro alicerçado na partilha.
“Também nós podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, apontou.
A devoção popular marcou a deslocação ao Santuário da Muxima, espaço onde milhares de fiéis se uniram em oração para assumir um compromisso ativo com os mais vulneráveis.
“É o amor que deve triunfar, não a guerra!”, disse o pontífice.
A viagem levou um Papa, pela primeira vez, ao leste do país.
Em Saurimo, na província da Lunda Sul, Leão XIV rejeitou a instrumentalização da fé cristã e qualquer forma de “opressão, violência, exploração e mentira”.
Antes, passou por um lar de idosos, pedindo que os mais velhos sejam “escutados, pois guardam a sabedoria de um povo”.
O Papa mostrou-se impressionado com a vitalidade dos jovens angolanos e apontou a nação como um exemplo de resiliência: “A África é, para o mundo inteiro, uma reserva de alegria e esperança”.
O último encontro da viagem a Angola decorreu em Luanda, junto de representantes da comunidade católica, a quem o pontífice deixou a missão de promover “uma memória reconciliada, educando todos para a concórdia”.
A deslocação ao continente africano prossegue até quinta-feira na Guiné Equatorial, completando a maior viagem do atual pontificado, que englobou passagens pela Argélia e Camarões, desde 13 de abril.
OC
