Rede católica pede donativos financeiros para responder a uma «emergência sobre outra emergência» que já provocou quase dois mil mortos

Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa lançou uma campanha nacional de recolha de fundos para apoiar a população venezuelana, na sequência dos sismos de 24 de junho que provocaram cerca de 2 mil mortos, incluindo 68 cidadãos nacionais ou lusodescendentes.
“Num país já marcado por uma crise humanitária prolongada, este desastre agrava vulnerabilidades e aumenta o sofrimento da população”, adverte a organização humanitária, em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
A nota apela à solidariedade perante o rasto de destruição no país, referindo que as condições de segurança no terreno estão reunidas para que a ajuda seja canalizada “de forma eficaz e responsável”.
“Como em anteriores emergências, a Cáritas reforça que as doações financeiras são a forma mais eficaz de apoiar esta resposta, permitindo intervenções rápidas e adaptadas às realidades locais”, indica a instituição.
Os donativos podem ser feitos através dos seguintes meios de doação:
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“Estamos a responder à emergência, mas a situação acaba por colapsar ainda mais um país que já vinha com muitas sequelas”, alertou a diretora nacional da Cáritas Venezuela, em declarações enviadas aos jornalistas.
Janeth Márquez sustentou que a catástrofe natural veio agravar o impacto da crise prolongada que atinge a nação há mais de uma década, provocando a falência dos sistemas de saúde e da segurança alimentar perante “uma emergência sobre outra emergência”.
A responsável advertiu que os danos estruturais, com 855 edifícios destruídos em cinco estados diferentes, deixaram desprotegidas e sem acesso a bens essenciais não apenas as vítimas diretas, mas também as populações das áreas circundantes.
A Cáritas da Venezuela assumiu o enorme desafio logístico de canalizar o fluxo solidário com ordem e método, estruturando o planeamento no terreno para que a chegada de donativos “seja um serviço e não se converta num problema”.
A rede de ação social da Igreja Católica avisou que os recursos atualmente disponíveis cobrem apenas a fase inicial da resposta, exigindo a manutenção a longo prazo das contribuições materiais e económicas para evitar que a situação se torne insustentável.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal atualizou esta terça-feira o balanço de vítimas mortais com ligação a território nacional, contabilizando 68 óbitos, entre os quais dez crianças e 58 adultos, registando ainda 74 pessoas desaparecidas.
As autoridades venezuelanas fixaram entretanto os dados globais da catástrofe em 1943 vítimas mortais, 10 571 feridos e mais de 15 800 desalojados, confirmando a realização de 6461 resgates bem-sucedidos desde o dia 24 de junho.
OC
