Lisboa: Franciscanos Conventuais e comunidade de Chelas celebraram 30 anos da igreja de Santa Clara de Assis

«O lugar de culto é importante como ponto de referência, mas não tira a essencialidade do encontro com os outros e de crescimento na fé» – Frei Tibério Zílio

Foto: Unidade Pastoral de Chelas

Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – Os Franciscanos Conventuais está ao serviço da Igreja Católica em Portugal há “quase 60 anos”, primeiro em Coimbra, e depois com a comunidade cristã em Chelas, no Patriarcado de Lisboa, onde celebraram 30 anos da igreja de Santa Clara.

“Fizemos esta celebração do 30.º dia da dedicação, a consagração, da igreja de Santa Clara, no Bairro da Flamenga, antiga zona N1, e vimos fotos da construção e dos vários eventos litúrgicos, pareciam quase procissões no meio do deserto, porque, de facto, não havia muitas construções e também lugares de culto e pastorais”, disse frei Tibério Zílio, esta quarta-feira, 1 de julho, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O pároco de São Maximiliano Kolbe do Vale de Chelas e de Santa Beatriz da Silva, recorda que quando a Ordem dos Frades Menores Conventuais chegou a esta zona oriental de Lisboa, “no primeiro tempo da implantação”, não tinham estruturas e a evangelização e contacto com a comunidade era “mesmo na rua e partilha-se tudo”.

“Hoje, sentimos, aliás, o Papa Francisco habituou-nos a uma Igreja em saída, o lugar de culto é importante como ponto de referência, e também as estruturas pastorais que, ao longo das décadas, fomos construindo, mas não tira a essencialidade do encontro com os outros e de crescimento na fé, também no território onde já encontramos pessoas que não acreditam, ou vivem de maneira diferente”, desenvolveu o frade italiano, que chegou, “mais recentemente, em 2001”.

Segundo Alexandra Barreto, o 30.º aniversário da igreja de Santa Clara de Assis, no bairro da Flamengo, celebrado a 23 de junho, revela a vitalidade da comunidade da Paróquia São Maximiliano Kolbe, e explica que cresceram com a ideia de que “pôr a mão na massa era essencial para construir, não era uma responsabilidade apenas dos frades”.

“A Igreja éramos nós, por isso, muito daquele trabalho que ali está vem das mãos de pessoas que já partiram e de muitas das que ainda estão na comunidade, até agora. E que nós pretendemos que passe também para os nossos filhos, para as próximas gerações”, acrescentou a paroquiana.

Alexandra Barreto explica que “ter vivido na rua era muito bonito, aquela ideia de que de facto viver a fé pode ser em qualquer lugar”, mas terem um espaço onde podem estar para “viver outros momentos em comunidade tornou tudo muito mais bonito, muito mais sólido”.

“Para nós, cristãos, é igualmente importante não nos fecharmos entre nós, criando um pequeno grupinho que se acomoda, mas comunicar o Evangelho em toda parte. Como Francisco e os primeiros frades faziam, não tinham uma casa, mas a casa era o claustro, é o mundo inteiro”, referiu frei Tibério Zílio.

A comunidade cristã nesta zona oriental de Lisboa, uma periferia da cidade, procura também desconstruir algum estigma que ainda carrega, e Alexandra Barreto salienta que “mostra o rosto humano” de quem lá vive, e faz algo que considera “muito bonito, entre muitas coisas que é olhar para a história de cada um”, porque são “muito diferentes”.

“É uma zona da cidade que agregou gente de vários pontos do mundo e do país, e não tornou isso um problema. Pegou-nos a diversidade e fez-nos mostrar que Deus existe em qualquer pessoa, em qualquer sítio, com qualquer história de vida”, acrescentou a paroquiana de São Maximiliano Kolbe, no Vale de Chelas.

A Ordem dos Frades Menores Conventuais é a guardiã do corpo de Santo António – Fernando de Bulhões –, na sua basílica em Pádua (Itália), onde o santo português morreu, e estão em Portugal há “quase 60 anos”, porque o provincial disse que não podiam “não estar presente na terra onde António nasceu”, primeiro em Coimbra, cidade onde o santo lisboeta vestiu o hábito franciscano.

“E desejamos também, em consonância com o patriarca de então, chegar a Lisboa, e foi-nos atribuída esta zona de caridade, praticamente, de acolhimento, que muito se confaz também com o nosso carisma de São Francisco”, recordou frei Tibério Zílio, pároco da Unidade Pastoral de Chelas.

Alexandra Barreto, que fez “todo o percurso na fé” nesta comunidade – “só não fui batizada casei, batizei as minhas filhas, tudo sempre” –, lembra que cresceram “sempre na rua, com colegas que viviam nas antigas barracas do bairro do Relógio”, e a comunidade dos Franciscanos Conventuais “soube olhar” para eles com a vida que tinham, com o seu valor, “e isso fez toda a diferença”, porque “a fé pode ser vivida na rua, pode ser vivida na relação, não tem que ser apenas aquele momento da Eucaristia no domingo, que é essencial, sem dúvida”.

O pároco de São Maximiliano Kolbe do Vale de Chelas, território onde está a igreja de Santa Clara de Assis, e de Santa Beatriz da Silva destacou uma curiosidade “também devocional” relacionado com Santo António, “o santo casamenteiro, mas é só aquele que combina os casamentos”, enquanto a preparação dos casamentos é Santa Clara de Assis, e fizeram um “postal”/pagela que tem “a oração de uma noiva”, e ofereceram “como lembrança” no 30.º aniversário da igreja.

“É frequente a chegada à porta da igreja Santa Clara de noivas que estão para se casar e pedem que corra tudo bem, portanto, um bonito tempo, e colocam ovos, sinal sempre de fertilidade, não encontrando a porta da igreja aberta vão pôr esta oferta dos ovos ao Santo António, que está mesmo no jardim de Santa Clara”, explicou frei Tibério Zílio.

O frade Franciscanos Conventual destaca que “é interessante” esta tradição. que ainda não descobriram a origem, porque Santa Clara de Assis, “para além da padroeira da televisão, é reconhecida como uma santa que ajuda a preparar bem e consolidar o casamento”.

HM/CB/OC

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