Venezuela: Bispo do Funchal encerra visita de seis dias ao país, com Eucaristia no Centro Português de Caracas

D. Nuno Brás lembrou que «para Deus não há estrangeiro», na homilia da celebração, que finalizou trajeto que incluiu passagem pelas zonas mais afetadas pelos sismos

Foto: D.R.

Funchal, Madeira, 18 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, encerrou este domingo a visita pastoral de seis dias à Venezuela, com uma Eucaristia na capela de Nossa Senhora de Fátima do Centro Português de Caracas.

A celebração concluiu um percurso que se iniciou a 11 de agosto, durante o qual o responsável católico se encontrou com comunidades portuguesas e lusodescendentes, responsáveis eclesiais e instituições de solidariedade, tendo visitado algumas das zonas mais atingidas pelos sismos que o país sofreu a 24 de junho.

De acordo com o Jornal da Madeira, na homilia da Missa, D. Nuno Brás centrou a reflexão no amor de Deus, que não conhece fronteiras.

“Nem todos têm a graça de viver a fé, mas Deus é Deus para todos. Deus cuida de todos. Deus ama-te. É isto que nos salva. É isto que nos cura. A nós e a todos”, afirmou o bispo do Funchal.

A celebração contou com a presença do bispo de Puerto Cabello, D. José António da Conceição, e do diretor da Missão Católica Portuguesa, padre Carlos de Abreu.

D. Nuno Brás recordou que para “Deus não há estrangeiro” e que o próprio “convida a não olhar o outro como estrangeiro, mas antes a acolhê-lo”.

A mensagem partiu do Evangelho do XX Domingo do Tempo Comum, a passagem de São Mateus que apresenta o encontro de Jesus com a mulher cananeia, uma estrangeira que insiste junto de Cristo pela cura da filha.

O bispo chamou a atenção para a atitude daquela mulher, que não encara a salvação como um direito a exigir, mas como um dom que se recebe de Deus.

“Aquela mulher não desistiu. Aquela mulher percebia que não tinha direito. Não era qualquer coisa que ela pudesse reivindicar. Percebeu que a salvação é qualquer coisa que Deus dá, que Deus oferece. É dom de Deus”, lembrou.

O responsável católico realçou que daquela insistência nasce também um ensinamento para a oração cristã: “Havemos de ser capazes de pedir. Havemos de ser capazes de constantemente o implorar. Aquela mulher não desistiu. E o Senhor deixou-se comover por aquele grito daquela mulher”.

D. Nuno Brás destacou depois o exemplo de Santa Maria Rivier, recordando a doença que a impediu de andar durante a infância e a perseverança com que pediu a cura.

“Durante anos, pediu que a levassem à capela, e todos aqueles dias ela pedia que Nosso Senhor a curasse. Sem desfalecer. Batendo à porta. Batendo ao coração do Senhor. E foi curada”, disse.

Nascida a 19 de dezembro de 1768, Maria Rivier fundou as Irmãs da Apresentação de Maria, congregação dedicada particularmente à educação, a 21 de novembro de 1976; foi canonizada pelo Papa Francisco, na Praça de São Pedro, a 15 de maio de 2022.

“Não deixemos nunca de pedir, não deixemos nunca de bater ao coração do Senhor”, pediu o bispo, ressalvando que a oração não pode ser entendida apenas a partir da expectativa de um milagre.

“O Senhor escuta. Porque o Senhor quer transformar o nosso coração, de tal forma que os seus dons possam ser verdadeiramente acolhidos como dons para mim e para todos. E não simplesmente com o milagre em vista”, mencionou.

Na conclusão da homilia, D. Nuno Brás realçou que a experiência da sofrimento pode tornar-se também lugar de encontro com Deus e de testemunho: “O Senhor toca-nos no meio da aflição. O Senhor ajuda-nos. Para podermos ser suas testemunhas para todos”.

Foto: D.R.

A visita do bispo ao país sul-americano realizou-se a convite do arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord, e, de acordo com D. Nuno Brás, “surgiu quase espontaneamente depois dos terramotos de 24 de junho”.

A Venezuela foi atingida por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5, que ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, citado pela Agência Lusa.

Entre os 6.438 mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

LJ

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