José Eduardo Borges de Pinho afirma que o processo em curso «exige mudanças de mentalidades» e depois «a nível das estruturas»

Lisboa, 20 jun 2022 (Ecclesia) – José Eduardo Borges de Pinho, professor jubilado da UCP, assinala que se está a viver, nestes dias e nos próximos anos, “o acontecimento mais importante depois do Concilio Vaticano II”, com o Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa Francisco.

“Não é um acontecimento fechado, este processo. Está a ter dimensões muito significativas, embora há sempre um ponto de interrogação: o que é que vai ser feito, o que é que vai resultar, depois na prática, em termos de decisões aos diversos níveis”, disse hoje em entrevista à Agência ECCLESIA.

O Sínodo 2021-2023 tem como tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” e iniciou-se simbolicamente em outubro de 2021, sob a presidência do Papa, no Vaticano, marcando o arranque de uma inédita fase de consulta e mobilização das comunidades católicas de todo o mundo.

Segundo José Eduardo Borges de Pinho, as pessoas sentem que muitas “ficarão por ventura à margem deste processo”, mas aquelas que participam e estão empenhadas sentem que se está num “período de mudança e de grande esperança nessa matéria”.

“Creio que estamos a viver, nestes dias e nos próximos anos, o acontecimento mais importante depois do Concilio Vaticano II.”

O professor emérito de Eclesiologia na Faculdade de Teologia da UCP (Universidade Católica Portuguesa) também alerta para dois problemas, começando por explicar que “interessa passar das palavras aos atos”, o que é uma questão operativa que “exige mudanças de mentalidades, e depois a nível das estruturas”.

“Depois, não podemos esquecer, felizmente: a Igreja é uma grande comunidade católica, em que há unidade na diversidade, e essa diversidade é muito grande, embora haja sempre tendências uniformistas que têm imperado ao longo da história, e estamos a ser, de certa forma, bastante marcados por isso”, desenvolveu.

José Eduardo Borges de Pinho alerta para os “diversos níveis de realização” – paróquias, associações e movimentos, o nível das dioceses, da Igreja Universal – observa que uma questão que pode ser colocada, “com toda a veemência e clareza”, num nível paroquial ou diocesano mas “há uma abrangência global que nuns casos pode ajudar, noutros casos pode bloquear”, e exemplifica com o caminho sinodal na Alemanha, onde “tem havido alguma polémica”.

No Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, o teólogo referiu que é necessário uma “concentração no essencial” a todos os níveis, e pode-se fazer a perguntar sobre “o que é o essencial na liturgia, na doutrina”, no modo de organizar a vida pastoral.

Segundo José Eduardo Borges de Pinho, “há caminhos que são difíceis”, como a abertura aos outros, “sobretudo aos que estão de fora” da comunidade “não é fácil”, aos diferentes, o que “exige maturidade, tolerância”, capacidade de ir ao encontro das pessoas e é possível.

O entrevistado é um dos oradores das Jornadas Pastorais do episcopado português, que começam hoje em Fátima, onde vai apresentar o tema ‘Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal’.

A primeira fase do processo sinodal está a chegar ao fim com as várias dioceses portuguesas a ultimar uma síntese do trabalho realizado a nível local, que vão entregar à Conferência Episcopal Portuguesa, para escrever um documento final de âmbito nacional.

A Agência ECCLESIA tem acompanhado a publicação das sínteses diocesanas, e no seu portal online, até agora, foram publicadas notícia de 12 dioceses: Braga; Évora; Santarém; Guarda; Funchal; Aveiro; Setúbal; Leiria-Fátima; Lisboa, e da Capela do Rato (Patriarcado de Lisboa); Coimbra, Diocese das Forças Armadas e de Segurança, e Porto.

HM/CB/PR

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