Contibuto do Ordinariato Castrense para percurso sinodal  foi feito com base em 958 inquéritos

Foto: Ordinariato Castrense

Lisboa, 05 mai 2022 (Ecclesia) – Os militares na Diocese das Forças Armadas e de Segurança gostariam que os capelães desenvolvessem um trabalho mais “quotidiano” e não apenas nas “missões de serviço”, e pedem acolhimento para todos, evitando “prepotência, indiferença e hierarquização da Igreja”.

“A capelania tem de ser mais um lugar de partilha não só nas dificuldades, mas também em encontros de partilha de alegrias e sucessos. Onde o capelão tem de ter uma presença constante, próxima e amiga, sem o qual não é possível gerar comunidade de comunhão, participação na missão que a todos lhe é atribuída aquando da sua nomeação. As suas intervenções devem ser simples, acessíveis e traduzir uma proximidade”, pode ler-se num documento, enviado à Agência ECCLESIA, fruto da reflexão feita pelos militares para o Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa Francisco.

O resultado do inquérito realizado pela equipa sinodal do Ordinariato Castrense, que recolheu 958 respostas, fala ainda na importância de “acolher todos, independentemente de quem seja, todos devem sentir-se acolhidos, como numa família sem olhar à sua condição”.

“O capelão deve ter um horário para atendimento de acordo com as necessidades das pessoas que serve. Devem ainda estar dedicado ao conhecimento das pessoas, acompanhamento das suas famílias, gerando um dinamismo espiritual certo e constante”, solicitam, sublinhando ainda a importância da realização de “ações de formação, atividades de voluntariado e outros eventos que sejam importantes para criar um espírito solidário”.

A Equipa Sinodal da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança lançou um inquérito, em fevereiro, para ser respondido por todos os militares, com vista a uma reflexão alargada sobre o Sínodo 2021-2023, sobre o tema ‘Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’, cujos resultados manifestaram a necessidade de “rejuvenescer o grupo de participantes nas atividades da capelania”.

Os militares desejam fazer do espaço da capelania, um local de “maior acolhimento”, “sem excluir ninguém”, em especial entre os mais novos e dinamizar “encontros de famílias”.

Para uma Igreja mais acolhedora, (os militares querem), criar um espaço de espiritualidade através de uma maior dedicação à solidariedade; encontrar e dinamizar os encontros de famílias onde se promova o convívio, atrair às nossas celebrações os militares para descobrirem a fé, valorizando a lugar religioso através das celebrações, criar e incentivar a participação dos mais jovens no serviço de Igreja”.

O documento sublinha que os crentes são chamados a ser “faróis de esperança e não profetas da desgraça”, devendo, por isso, “encorajar a criar um processo local que inspire as pessoas, sem excluir ninguém”.

As conclusões apresentadas dão conta de um reconhecimento de uma “desilusão implícita” sobre o “papel da Igreja hoje na sociedade”, também de “escândalos” que “proporcionam esta desilusão” e registam uma “apatia” entre a comunidade militar, um grande número de “não praticantes” sem participação nos sacramentos.

“Vemos que grande número de pessoas que respondeu são na grande maioria cristãos, mas que metade das pessoas que respondem dizem não ser praticantes”, pode ler-se no documento.

Os militares reconhecem a existência de “canais onde as pessoas na capelania se possam expressar sobre a Igreja e de se sentirem acolhidas”, mas recomendam “um maior esforço no acolhimento das pessoas especialmente os que vivem com problemas”.

A equipa de leigos da caminhada sinodal teve como coordenador o padre Leonel Castro e foi constituída por um elemento de cada ramo das Forças Armadas – da Marinha, Força Aérea e Exército – e das Forças de Segurança – GNR e PSP, designadamente o Tenente-General Joaquim Almeida, Coronel Paulo Pereira Zagalo, Superintendente-Chefe Pedro Lopes Clemente, Capitão-Tenente Mariana Cirne de Vasconcelos Araújo de Brito e 1º Sargento André Justino Leandro.

Os inquéritos foram respondidos “com maior incidência” nos ramos da Força Aérea, e a faixa etária mais representativa entre os 36 e os 50 anos, com “percentagem de respostas centrada nos homens”.

A Secretaria Geral do Sínodo decidiu prorrogar até 15 de agosto de 2022 a entrega da síntese final das conferências episcopais, tendo igualmente estabelecido que a fase diocesana se prolongue até 31 de maio de 2022, data em que deverão ser entregues as respetivas sínteses.

A Conferência Episcopal fará uma síntese, a partir das reflexões diocesanas, que será posteriormente enviada para o Vaticano.

LS

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