São Francisco/800 anos: Aniversário é ocasião para «espalhar a paz e o bem», afirma presidente nacional da JUFRA

Liliana Fortuna destacou importância da voz do jovens, «que têm o poder realmente de ter impacto», e objetivos do ano 2026/2027

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Fátima, 04 out 2026 (Ecclesia) – A presidente do Conselho Nacional da Juventude Franciscana em Portugal (Jufra) destacou a importância a atualidade de São Francisco de Assis para os jovens e para a sociedade, no contexto dos 800 anos da morte do santo italiano.

“Eu acho que diz para continuar a acreditar e continuar a espalhar a paz e o bem, porque o mundo de hoje pede-nos muito isso e, às vezes, os jovens pensam que é difícil ser cristão nos dias de hoje, mas não é”, disse Liliana Fortuna, em declarações à Agência ECCLESIA, este sábado, na 53.ª Peregrinação nacional da Família Franciscana Portuguesa a Fátima.

A presidente do Conselho Nacional da Juventude Franciscana, que está no ultimo de três anos como responsável da JUFRA, até julho de 2027, acrescentou que “quando mais é preciso as coisas vão mudando”, hoje veem “muitas coisas erradas a acontecer, e “são os jovens que têm o poder realmente de ter impacto”.

“A nós ouvem-nos mais depressa, e se nos dão esta voz, nós temos que a utilizar para o bem e para espalhar a paz. Eu acho que São Francisco diria para nós continuarmos aquilo que ele fez”, realçou a jovem da fraternidade da JUFRA de Barcelos, da Comunidade capuchinha de Santo António.

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Frei José João Quintã Pereira, da direcção da Família Franciscana Portuguesa, observou que São Francisco “tem muitos prismas por onde pode ser visto”, conforme o interesse de quem está a estudar, a querer seguir “um pouco o seu modelo, o seu exemplo”.

“Evidentemente, quando falamos de grupos ou até de sociedades, e mais ainda nosso contexto tão poliédrico, tão diversificado, a nossa mentalidade, a nossa cultura, não é só a forma de ser e de estar que é tão diferente e tão diversificada pelo mundo cultural que hoje também estamos a acompanhar, temos necessidade também de olhar para Francisco na sua originalidade. Porque senão continuamos, de certa maneira, dependentes de nós próprios e não tanto da fonte que é São Francisco”, desenvolveu o provincial dos Frades Menores (OFM).

Segundo o sacerdote franciscano, conhecer a fonte “significa ir àquela água pura, àquela água cristalina”, que foi na a vida de São Francisco, e aquilo que, “na sua palavra, no seu exemplo, no seu testemunho, transmitiu aos seus contemporâneos, e, também ao longo dos séculos, até ao dia de hoje”.

“Continua a ser uma riqueza imensa, um testemunho de vida de alguém que se despoja, que se desprende, não só de bens materiais, também de um desprendimento interior, para ser simplesmente o humilde servo de Deus, do Altíssimo, mas também o humilde servo de todos. Na verdade, São Francisco abriu-se nesta perspectiva como irmão, hoje dito assim de uma forma mais pleonástica, um irmão universal, irmão de todos.”

No início de um novo ano pastoral na Igreja, os objetivos da JUFRA em 2026/2027 são “viver mais a espiritualidade franciscana”, inseridos num munco com “cada vez mais, tecnologias, todas as atividades extracurriculares que existem”.

Foto: Agência ECCLESIA/CB

“Torna-se difícil para os jovens pararem e terem tempo para a oração, e o franciscanismo permite-nos um bocadinho isso, termos algum tempo para realmente contemplar a natureza, contemplar o mundo à nossa volta. Queremos focar muito ao longo deste ano nessa vertente, para que os jovens de hoje encontrem um espaço para acalmar no mundo tão rápido e efêmero.”

Liliana Fortuna adianta que também querem “criar novas fraternidades ao longo do país”, porque têm sido procurados por vários jovens, “mas que ainda não têm um grupo formado”, por isso, pretendem começar a caminhar com esses jovens para que “eles possam vir a tornar-se JUFRA e a pertencer a esta família, uma organização maior e proporcionar-lhes mais experiências”.

A Juventude Franciscana em Portugal é um movimento com “aproximadamente 30 jovens ativos nas fraternidades, todos entre os 14 e os 30 anos”, em localidades de várias dioceses: em Barcelos (Braga), em Gondomar (Porto), em Varatojo, Torres Vedras (Lisboa) e na Madeira (Funchal), na Fraternidade de Santa Cruz.

A responsável nacional da Juventude Franciscana salientou ainda que têm “alguns amigos” que ao longo do ano juntam-se à JUFRA, que “ainda não pertencem” ao movimento de pastoral juvenil franciscano, “mas estão a começar a fazer caminhada para poderem juntar-se”, que é uma reflexão que estão a fazer, porque não querem, “obviamente, tirar a identidade dos grupos que já existem”.

“Ser franciscano é respeitar a diferença e, portanto, nós tentamos sempre juntar-nos e partilhar com outros grupos a vivência do franciscanismo, sem lhes retirar aquilo que também eles foram construindo. Este ano tivemos uma atividade nacional em Pinhel, com um grupo de jovens daquela zona, os ‘Mensageiros da Esperança’, e o nosso objetivo é encontrar uma forma de juntar estes grupos à JUFRA”, explicou Liliana Fortuna, salientando o “carisma mundial” da JUFRA, presente “em 27 países”.

No Vaticano, o Papa Leão XIV assinalou hoje o oitavo centenário da morte de São Francisco (1181/1182-1226), desafiando a comunidade internacional a construir a paz, inspirada no legado do santo de Assis.

A 53.ª Peregrinação da Família Franciscana Portuguesa a Fátima começou com a Via Sacra, na manhã deste sábado, seguiu-se um momento cénico de festa, convívio e partilha do Ano jubilar Franciscano no Centro Paulo VI, da parte da tarde, antes da Missa vespertina, do rosário na Capelinha e vigília; este domingo terminam com a Eucaristia, no recinto de oração, presidida pelo arcebispo franciscano D. José Carballo (Arquidiocese de Mérida-Badajoz).

Os 800 anos da morte de São Francisco de Assis vão estar em destaque na emissão do programa ‘70×7’ (RTP2), este domingo, pelas 13h30.

CB/OC

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