Setúbal: D. Américo Aguiar termina visita à Amora com apelo à inclusão de migrantes

«Que ninguém se sinta estrangeiro, que ninguém fique à porta, que todos possam encontrar uma casa e uma família», pede cardeal

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Amora, 04 out 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal encerrou hoje a sua visita pastoral à paróquia da Amora, apelando ativamente à plena integração comunitária das populações migrantes.

“Nesta terra de tantas culturas, proveniências e sotaques, um dos frutos que Deus espera de nós é muito claro: que ninguém se sinta estrangeiro, que ninguém fique à porta, que todos possam encontrar uma casa e uma família”, pediu D. Américo Aguiar, durante a homilia da Missa a que presidiu na Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião.

O cardeal dedicou os últimos dias ao contacto direto com mais de 3 mil pessoas, percorrendo 83 movimentos, coletividades, empresas e instituições estatais ou autárquicas desde o dia 24 de setembro.

A reflexão de D. Américo Aguiar centrou-se na imagem bíblica da vinha para questionar a fecundidade da comunidade católica no apoio aos mais fragilizados.

“Deus investiu muito em nós”, alertou o bispo de Setúbal, recusando a ideia de uma Igreja focada apenas em reuniões e estruturas.

O responsável católico advertiu os paroquianos para o perigo de se comportarem como donos da instituição, lembrando que a missão cristã pressupõe a partilha dos espaços comunitários.

“A paróquia não é do pároco, nem do bispo, nem dos grupos, nem daqueles que cá estão há mais tempo”, apontou.

O último dia de atividades integrou um encontro estrutural com os Conselhos Pastoral e Económico local, além de uma celebração dedicada às crianças da catequese.

O bispo sadino sublinhou que a diversidade de culturas detetada no território constitui um desafio permanente para garantir que todos encontrem o seu lugar de pertença.

“Em Cristo somos irmãos e irmãs”, refere D. Américo Aguiar na sua mensagem de encerramento, elogiando o serviço pastoral prestado pela congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos).

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

O texto evoca os vários testemunhos sobre a crise da habitação, a solidão dos idosos, a falta de emprego e as feridas abertas no seio das famílias.

A Igreja, indica o bispo de Setúbal, “não pode ter resposta para tudo, mas tem de estar presente”.

O itinerário diocesano prossegue a partir de 10 de outubro na Vigararia do Seixal, contemplando a deslocação às paróquias vizinhas de Corroios e de Vale de Milhaços.

OC

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