Lisboa: Patriarca apela a lideranças políticas para construção de pontes, à imagem de São Francisco

D. Rui Valério assinalou 800 anos da morte do Santo de Assis

Foto: Patriarcado de Lisboa

Torres Vedras, 04 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa apelou hoje à edificação da paz global a partir do Convento de Santo António do Varatojo, em Torres Vedras, durante a missa que assinalou os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.

“Chefes das nações, de todas, por favor, colocai-vos, fazei-vos à estrada e ide ao encontro do outro para com ele estabelecer ligações e uniões de paz”, pediu D. Rui Valério, numa intervenção divulgada pelo Patriarcado de Lisboa.

O responsável católico exortou os decisores a construírem “uma ponte, não muros”, sublinhando a premência de uma atitude de aproximação efetiva, voltada para o próximo e capaz de afastar qualquer distanciamento de costas voltadas.

A celebração eucarística sublinhou a pertinência da mensagem de Francisco de Assis, apresentando-o como um catalisador de mudança para a atualidade.

“É o santo perpétuo e eternamente atual”, sustentou o responsável católico, definindo o carisma do místico como um princípio permanente e uma incontornável “força de transformação da sociedade do mundo”.

A reflexão estruturou-se em três eixos, começando por enaltecer a atitude de completo despojamento que permite louvar o Criador através de um profundo sentimento de gratidão.

“Se tudo vem de Deus, se tudo é dom do Pai, então significa que entre cada um de nós e aquilo que existe e tudo o que existe, existe uma comunhão profunda”, observou o patriarca, face à liberdade interior que levou Francisco a chamar “irmã” à própria morte.

O segundo aspeto da pregação deteve-se na experiência marcante que o jovem de assis viveu diante do crucifixo de São Damião, descobrindo o abraço de um Deus que vê a fragilidade sem a condenar.

“É um conhecimento que ama, um conhecimento que é amor”, frisou D. Rui Valério, recordando que a força desta misericórdia ofereceu a São Francisco de Assis a capacidade ímpar de dialogar com outras religiões sem qualquer tipo de receio.

O terceiro ponto da intervenção centrou-se na partilha solidária.

“Para a família franciscana, mais importante do que o convento é a estrada para ir ao encontro do outro”, referiu.

Como viveu, que forma deu Francisco de Assis à paz? Aquela de ir ao encontro, aquela de deixar a sua zona de conforto e ir em busca e à procura do outro, de todos os outros.”

D. Rui Valério rematou a pregação assumindo que o exemplo do ‘poverello’ atua como uma “dádiva” providencial para guiar e orientar uma sociedade contemporânea profundamente fustigada pela complexidade, pela incerteza e pela dúvida.

OC

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