Santa Maria da Feira: Semana Santa quer «estimular sentido de pertença»

Programa com mais de 50 dias recupera a antiga tradição do «Apregoar das Almas» e propõe a vivência da Paixão de Cristo a partir do olhar de Maria

 

Lisboa, 02 mar 2026 (Ecclesia) – O coordenador da Semana Santa em Santa Maria da Feira, Daniel Nunes da Mota, considera que a programação deste evento é alargada e pretende “estimular o sentido de pertença”.

“Este evento não é feito para franjas específicas, tem uma programação alargada, com conteúdos alargados, porque tentamos tocar em todas as franjas da sociedade feirense, e mais importante do que isso, estimular o sentido de pertença a algo”, disse o responsável à Agência ECCLESIA.

O nome ‘Semana Santa’ pode induzir em erro porque haverá “mais de 50 dias” de programação que começou com a imposição de cinzas, no início de Quaresma, e vai até ao domingo da Pascoela.

Esta sexta-feira, haverá, naquela localidade da Diocese do Porto, a conferência sobre o “Apregoar das Almas”, uma tradição que está “muito enraizada” em Caldas de São Jorge, zona nordeste do concelho de Santa Maria da Feira,

Depois de contactado pelo Grupo Gólgota, daquela localidade, o presidente da Junta de Freguesia de Caldas de São Jorge chegou até Jorge Pinto que teve “uma ligação mais próxima a essa tradição” e vai “permitir tentar passar o testemunho”.

O ‘apregoar das almas’ é uma “tradição exigente” realizada na Quaresma e feita por homens que se “disponibilizavam para o fazer depois do horário de trabalho, depois do pôr-do-sol, quando dava o toque da chamada Santíssima Trindade”, realçou José Ribeiro.

Durante os 40 dias, os homens faziam “o mesmo percurso com as almas, digamos assim, atrás deles, e iam a três montes distintos, passariam por três fontes também, porque tinham a crença de que a água ia purificar as almas”, acrescenta.

“Temos o registo de que os últimos apregoadores das almas terão sido dois senhores que eram coveiros, curiosamente, porque havia muita gente que fazia a promessa, de apregoar as almas, mas depois, quando chegava altura de o fazer, ou não se sentiam à vontade, ou tinham receio, por coisas se calhar relacionadas com o além, de o fazer, e então encomendavam esse serviço a esses senhores, pagavam para que eles fizessem essa promessa”, sublinha José Ribeiro.

Na programação da Semana Santa de Santa Maria da Feira está também agendada a iniciativa ‘Peregrinar pelas Capelas e Igrejas da Cidade’.

A atividade, que tem “três vetores”, pretende dar a conhecer “o património religioso existente”, “sensibilizar as pessoas para os sítios, alguns deles com património destruído” e “sensibilizar as pessoas para o sentido religioso e quaresmal” porque “uma caminhada não é folclore”, disse o coordenador da peregrinação pelas Igrejas e Capelas de Santa Maria da Feira, Horácio Sá.

A pessoa está a caminhar e, “de um momento para o outro, é surpreendida com uma atividade cultural”, salienta.

Nas capelas e igrejas haverá “poesia, cânticos e histórias individuais” porque se valoriza a religião e a cultura”, frisou Horácio Sá.

Este ano, as celebrações naquela localidade têm como tema central a ‘Mater Dolorosa’.

“Cristo é e será sempre a figura central de toda a dinâmica da fé cristã”, mas, este ano, a organização coloca a tónica como “Maria vê a paixão”, explicou Daniel Nunes da Mota, em entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

“Não muda a personagem principal, muda o ponto de vista”, acrescenta.

As atividades “não são teatro” porque as pessoas colocam “densidade” nas cenas da vida de Cristo.

“Uma densidade que trespassa a própria densidade deles e passa para as pessoas que estão a escutar, a ouvir ou a ver”, finaliza Horácio Sá.

HM/LFS/OC

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