O erotismo visto pela Inteligência Artificial

Luis Filipe Santos – Agência ECCLESIA

Num final de tarde do mês de maio e depois de um dia de trabalho, um encontro a quatro numa mesa de café… O professor de História com ar provocatório lança o tema: “Então o Papa resolveu escrever sobre Inteligência Artificial?”

O enfermeiro respondeu de forma repentina: “É um terreno complicado, mas desconheço o documento”.

Na conversa disse que ainda não tinha lido a encíclica, apenas pequenos trechos saídos nas notícias publicadas na Agência ECCLESIA. Expliquei que a encíclica «Magnifica humanitas» (Humanidade Magnífica), sobre “a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial”, foi assinada simbolicamente a 15 de maio para assinalar o 135.º aniversário da «Rerum Novarum», encíclica de Leão XIII que inaugurou a chamada Doutrina Social da Igreja.

O cuidador de animais de estimação lançou logo uma farpa… “A Igreja também devia escrever sobre os direitos dos animais”. Pensei… “Pela lógica a Igreja devia escrever sobre todos os assuntos”.

Com ar gozão, o professor de História disse: “Também podia escrever sobre a arte erótica”. Risada geral… “É melhor não”, acrescentou. “Não conseguia fazer concorrência com a Natália Correia com a sua «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica»”.

A obra referida é um tesouro literário publicada inicialmente em 1966 e que reúne autores que vão de Martim Soares, do século XIII, aos nossos contemporâneos. Inclui nomes célebres e inesperados, tais como Camilo, Antero ou Pessoa, e uma plêiade de autores menos conhecidos ou mesmo completamente ignotos. Esta antologia é um documento mental, revelando-nos como a liberdade de expressão se foi alterando ao longo dos séculos.

Fizemos um exercício… O erotismo visto pela Inteligência Artificial segundo as profissões dos quatro elementos… Colados ao telemóvel, visualizámos o resultado que foi surpreendente e motivo de outra risada. A IA é mesmo hilariante… Os algoritmos vão aos baús mas nem sempre acertam. Falta-lhe a ética e o rosto humano…

No final da conversa disse que a encíclica «Magnifica humanitas» critica uma “visão anti-humana”, segundo a qual a plenitude da vida consistiria em “possuir mais, em reduzir a fragilidade, eliminar o imprevisto e controlar tudo”.

Com a IA corremos o risco da desumanização… Basta recordar o que ela mostrou e escreveu sobre o erotismo. Ficou combinado nova conversa, mas desta vez centrada no documento do Papa Leão XIV.

LFS

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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