D. Nuno Brás observa que Jesus «poderia ter encarnado num pós-humanismo, meio homem, meio máquina», mas «não o fez»
Lisboa, 05 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal salientou que o Papa Leão XIV chama “à atenção” para não se perder “o humano”, “criado por Deus e salvo por Jesus Cristo”, em ‘Magnifica Humanitas’ (a magnífica humanidade), a primeira encíclica do pontificado.
“Aquilo que emerge muito é aquilo a que Deus nos chama. Muito mais do que podemos usar, não podemos usar, como é que podemos usar, portanto, muito mais do que dar normas, normas éticas, esta encíclica chama-nos à atenção para não perdermos o humano”, disse D. Nuno Brás, em declarações à Agência ECCLESIA.
“Como é que nós não podemos perder o humano nesta nova idade em que estamos a viver, de uma forma muito particular o nosso mundo ocidental, que é a idade da inteligência artificial”, acrescentou, salientando que é um “humano magnífico criado por Deus, e salvo por Jesus Cristo”, e “é importante não esquecer isso”.
‘Magnifica Humanitas’ (a magnífica humanidade), é o tema da primeira encíclica do pontificado de Leão XIV que escreve sobre ‘A salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial’, e foi apresentada pelo próprio Papa, no dia 25 de maio, no Vaticano.
O bispo do Funchal explicou que Jesus poderia “perfeitamente” ter encarnado num pós-humanismo, podia ter encarnado “meio homem, meio máquina”, mas não o fez, e “foi completamente homem”.
“Este Deus feito homem ajuda-nos a perceber que mesmo no meio de toda esta inteligência artificial, desta suposta inteligência artificial, com toda a revolução que vai proporcionar, com todas as possibilidades, os perigos, é um grande grito para não perdermos a dimensão do humano, e vivermos esta realidade com muita, muita humanidade”, desenvolveu, apontando que é o mesmo do que dizer “com muita relação com Deus”.
D. Nuno Brás, presidente da Comissão Episcopal Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais dos bispos de Portugal, a partir do “homem hibridado”, que o Papa assinala na encíclica, alerta que o homem pode “obviamente perder a liberdade”, com todas as máquinas, “com todo o domínio” da tecnologia”, e o “domínio de alguns sobre a grande maioria”.
“Podemos perder a liberdade, podemos perder aquilo que nós somos, e é isso que nós não podemos perder, antes, pelo contrário. Para além da tecnologia, e de todas as possibilidades da inteligência artificial, existe este homem que Deus tornou magnífico, que é magnífico, porque Deus tem um desígnio único que a máquina jamais será capaz de alcançar”, acrescentou o bispo do Funchal, que assina o artigo de opinião ‘É da humanidade que não podemos abrir mão!’.
O documento papal foi assinado simbolicamente no dia 15 de maio para assinalar o 135.º aniversário da encíclica ‘Rerum Novarum’, de Leão XIII, que inaugurou a chamada Doutrina Social da Igreja (DSI).

O Papa Leão XIV, na ‘Magnifica Humanitas’, convida a ‘desarmar a IA’, e explica que “significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também económica e cognitiva”, D. Nuno Brás considera que esse apelo “vai para além dos conflitos armados”.
“A inteligência artificial pode perfeitamente, em última análise, criar conflitos, mas pode também chegar à própria destruição do humano, não é? Isso é uma arma muito mais poderosa do que bombas, ou tudo isso”, realçou o bispo diocesano, que é o vice-presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE).
O programa 70×7, do próximo domingo, na RTP2, é dedicado à encíclica ‘Magnifica Humanitas’ de Leão XIV, a 301.ª encíclica na história da Igreja Católica, que é o grau máximo das cartas que um Papa escreve.
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