Escutismo: Acampamento com mais de cinco mil crianças e jovens é «abraço fraterno entre toda a região de Braga»

«Se mais espaço houvesse neste local, mais escuteiros teríamos», afirma João Bacelo, em Guimarães

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Guimarães, 07 ago 2026 (Ecclesia) – O chefe do Acampamento Regional de Braga (ACAREG) 2026 dos escuteiros católicos afirmou à Agência ECCLESIA que “unir a região” é um dos objetivos desta atividade, que se realiza em Guimarães 10 anos depois da última edição.

“Nós somos uma região muito ampla geograficamente, temos muitas pessoas e temos sempre a necessidade de unir a região, de nos construirmos uns aos outros, de nos abraçarmos. E estes acampamentos são mesmo isso, são um abraço fraterno entre toda a região de Braga e é também com isso que nós queremos trabalhar neste acampamento”, afirmou João Bacelo.

Cerca de 5 mil e 100 escuteiros, de 156 agrupamentos, de cinco regiões de Portugal – Braga, Porto, Lisboa, Santarém e Algarve – e de Zurique, na Suíça, participam até sábado no ACAREG 2026, no Penha, o centro do movimento juvenil em Guimarães, sob o lema ‘Dar comVida’.

“Nós somos a maior região do país e, portanto, se mais espaço houvesse neste local, mais escuteiros teríamos, certamente. Portanto, acho que é importante perceber que estamos a manter uma senda de crescimento”, disse João Bacelo.

No entanto, adverte, é preciso não focar apenas nesse aspeto, assumindo a importância de “construir”, “pensar”, “repensar” e “ouvir os jovens”, perceber o que querem, o que lhes interessa e a forma como o escutismo pode trabalhar com eles e não para eles.

“Nós temos notado um ligeiro crescimento [de escuteiros] aqui na região. Notámos depois da pandemia, como era de esperar, um decréscimo dos números. Agora estamos a recuperar, estamos a procurar alternativas e tentar ir pescar, digamos, a sítios e a localidades onde não temos ainda agrupamentos”, adiantou.

Depois de meses de preparação do ACAREG, o responsável fala num “sentimento de alívio” e, ao mesmo tempo, de “preocupação”, porque são muitos os jovens e crianças que a organização tem sob a sua responsabilidade, lembrando também a “alegria” que é ver tantas crianças reunidas.

A chefe regional de Braga do Corpo Nacional de Escutas, Catarina Miranda, defende que o ACAREG “acaba por ter um impacto grande na vivência” dos jovens, uma vez que tem a duração de seis dias e envolve a participação de milhares de escuteiros, diferenciando-se das atividades habituais do escutismo.

“Isto implica que eles possam partilhar experiências únicas, possam viver com pessoas de outras zonas da nossa Arquidiocese, da nossa região e possam […] conhecer, viver, superar-se, porque aqui também é preciso aqui alguma resiliência”, destacou.

Ao longo de seis dias, os escuteiros envolvem-se num conjunto de atividades aquáticas, como por exemplo a canoagem, na barragem da Queimadela, e de aventura, jogos de cidade e momentos de animação.

O quotidiano no acampamento, que se estende ao longo de 54 hectares, é também marcado por várias tarefas executadas pelos escuteiros, nomeadamente a de cozinhar, que só não é realizada pelos lobitos (secção dos 6-10 anos).

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

“Alguns até treinam antes para conseguir fazer as refeições, portanto acaba por ser também aqui um aprender fazendo a vida do dia-a-dia deles”, refere Catarina Miranda.

O campo divide-se em vários espaços, pelos quais se distribuem as diferentes secções dos escuteiros (lobitos, exploradores: 10 aos 14 anos, pioneiros: 14 aos 18 anos e caminheiros:18 aos 22 anos).

João Bacelo explica que o repto feito a todos eles, neste ACAREG, “é o mesmo”, mas a sua aplicação “é diferente”.

“O desafio é que possam ser amor e vida na vida dos outros. Porque realmente não há forma de nos darmos mais do que darmos com a nossa própria vida. E é isto que o nosso mote nos convida a todos”, indica.

“Claramente que cada secção, dentro de cada idade, vai adaptar esta própria vivência. Os mais pequeninos vão certamente ter em gestos simples, os mais velhos certamente num ato mais complexo e de maior altruísmo, digamos assim”, acrescenta o chefe do acampamento.

O maior ACAREG de sempre fica marcado pela forte afirmação do rosto feminino no escutismo, com uma representação de mais de metade dos participantes.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Para Catarina Miranda, tal significa que o movimento, que inicialmente começou por ser essencialmente para rapazes, “se adequou aos tempos de hoje” e “está aberto para todos os géneros”.

Para a responsável, este é um “sinal de mudança” que traz uma mensagem da importância da presença da mulher na Igreja e do papel da mulher na sociedade.

Depois de participarem no ACAREG, a chefe regional de Braga espera que os escuteiros façam germinar a semente que ali trabalharam e a façam crescer à sua volta.

“Espero que saiam muito felizes, espero que saiam com muitas amizades, espero que saiam com muitas conexões e que sejam capazes de, se calhar, parar um bocadinho daquela azáfama diária do dia-a-dia e que possam também parar, refletir, reconhecer-se e reconhecer os outros”, expressou João Bacelo.

LJ/OC

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