É da humanidade que não podemos abrir mão!

D. Nuno Brás, bispo do Funchal

Foto: Agência ECCLESIA/PR

A máquina é máquina. Faz o que lhe compete, com grande eficácia e, em muitos casos, melhor que nós. Até nos pode enganar, fazendo-se passar por humano. A Inteligência Artificial faz isso com toda a naturalidade.

E nós, seres humanos? Estamos dispostos a continuar humanos, com tudo aquilo que nos distingue e nos torna únicos? Claro que somos mais lentos; claro que nos enganamos; claro que nos perdemos pelo caminho, confrontados com tanta eficácia.

É aqui que reside o grande perigo deste admirável mundo que se encontra às nossas portas: estaremos nós disponíveis para continuar a ser humanos, mesmo com a concorrência da Inteligência Artificial? Como alguém dizia: “O perigo não é o engano; é a atrofia!”. Corremos o sério risco de desistir do humano, de desistir do outro. De ficarmos atrofiados em humanidade.

É este o grande grito do Papa Leão XIV na sua primeira Encíclica hoje publicada: “Quando a palavra é simulada, mas não encarnada, ela não constrói uma relação, mas sim uma aparência dela” (MH 100).

O Verbo de Deus não se fez algoritmo, nem ecrã, nem sequer mensagem: fez-Se Carne, para poder ser encontrado, acolhido, tocado. Fez-Se Homem, e, desse modo, tornou magnífica a nossa humanidade. É da humanidade  (com todas as suas consequências) que não podemos abrir mão!

+ Nuno, Bispo do Funchal

Nova Humanitas

Foto: Vatican Media

 

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