Fundação AIS denúncia que jovens paquistanesas foram sequestradas, vítimas de violência e abuso, com 14 anos de idade

Lisboa, 09 set 2020 (Ecclesia) – Asia Bibi, a cristã paquistanesa que passou oito anos no corredor da morte acusada de blasfémia e vive com familiares no Canadá, apelou à libertação das jovens Maira Shahbaz e Huma Younus, no seu país natal.

“Sei que essas meninas estão a ser perseguidas e apelo ao primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, por favor, ajude as nossas meninas, porque nenhuma delas deveria sofrer assim”, disse Asia Bibi em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, pela fundação pontifícia, a cristã paquistanesa apela à ajuda do primeiro-ministro do Paquistão “especialmente pelas vítimas das leis de blasfémia” e pelas meninas que “foram convertidas à força – para salvaguardar e proteger as minorias, pois também são cidadãos paquistaneses.”

O secretariado português da AIS explica que Maira Shahbaz e Huma Younus foram “vítimas de sequestro, violência e abuso” com 14 anos de idade e “forçadas à conversão e forçadas a contraírem matrimónio”.

“Como vítima, estou a falar por experiência própria. Sofri muito e passei por tantas dificuldades, mas agora estou livre e espero que essas leis possam ser alteradas de forma a prevenir qualquer abuso”, acrescentou Asia Bibi que foi condenada à morte por causa da Lei da Blasfémia.

A fundação pontifícia recorda que Asia Bibi, mãe de cinco filhos, vive há cerca de 15 meses no Canadá para onde viajou depois de oito anos no corredor da morte no Paquistão, acusada de blasfémia, “por ter bebido um copo de água de um poço”, em 2010, no final de outubro de 2018, o Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão ilibou-a de todas as acusações.

“O Paquistão é para todos os cidadãos paquistaneses, portanto, as minorias religiosas também devem ter os mesmos direitos de cidadania, e a lei do Paquistão diz que todos devem poder viver em liberdade… e, portanto, essa liberdade deve ser garantida e respeitada”, disse na entrevista com o diretor do secretariado italiano da Ajuda à Igreja que Sofre, Alessandro Monteduro.

Asia Bibi agradece o empenho da Fundação AIS na campanha pela sua libertação e “a todos os benfeitores, em Itália e em todo o mundo”, por apoiarem pessoas que “são perseguidas por causa da sua fé”, e revelou o apreço pelo Papa Francisco e pelo Papa emérito Bento XVI.

“Tenho dois terços que me foram oferecidos pelo Santo Padre. Um ficou no Paquistão e o outro tenho-o comigo e rezo com ele todos os dias pelo dom da fé e por aqueles que são perseguidos no Paquistão. Agradeço ao Santo Padre Francisco e também ao Papa Bento XVI que também intercedeu por mim, e agradeço à AIS e a todas as outras pessoas que rezaram por mim”, desenvolveu.

“Tenho um profundo desejo de ir a Roma e, se possível, encontrar-me com o Santo Padre. Rezo pelo Papa Francisco, que nos sustente na nossa fé”, acrescentou Asia Bibi que foi convidada pela AIS a visitar Roma com a família, divulga o secretariado português da fundação pontifícia.

CB

 

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