D. António Luciano diz que é preciso «aproximar, fazer cair muros, criar pontes»

Foto: DIocese de Viseu

Viseu, 04 mai 2022 (Ecclesia) – O bispo de Viseu disse que esperar um futuro com “muita iniciativa” na diocese, depois da peregrinação dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) neste território, durante 29 dias de abril.

“Agora temos um futuro: esse futuro tem que ser de muita iniciativa, como diz o nosso Papa ‘muito original’. E eu espero que, em cada arciprestado, os delegados para a Pastoral Juvenil continuem a trabalhar, e continuem de modo particular no dinamismo da formação”, referiu D. António Luciano à Agência ECCLESIA.

Os dois símbolos da Jornada Mundial da Juventude – a Cruz e o ícone de Maria ‘Salus Populi Romani’ – peregrinaram pela Diocese de Viseu ao longo do mês de abril, percorrendo percorreram mais de 2500 quilómetros, numa visita que chegou a mais de 12 600 pessoas.

O Comité Organizador Diocesano (COD) de Viseu para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 informa que esta viagem se realizou pelos seis arciprestados da diocese, incluindo a passagem por 18 estabelecimentos de ensino.

D. António Luciano admite “dificuldade” em chegar ao encontro dos jovens, por parte da Igreja, assumindo a missão de “aproximar, fazer cair muros, criar pontes”, e também criar estruturas diocesanas – o Secretariado da Pastoral Juvenil ou da Pastoral do Ensino Superior – que seja “efetivas”.

“Para que sejam realmente dinamizadores dos grupos de pastoral juvenil, dos grupos jovens, da animação de movimentos juvenis ou adultos. Nós queremos que sejam a matéria-prima para este futuro que há de ser laborioso e há de dar frutos”, acrescentou o bispo de Viseu.

A peregrinação dos símbolos em Viseu terminou com uma oração pela paz, este sábado, na igreja do seminário, e no dia anterior visitou escolas em Oliveira de Frades e esteve no campo escutista, de onde saiu em procissão até à igreja paroquial para uma vigília de oração.

“Nos outros anos em que havia as jornadas mundiais via na televisão e nunca sonhava tocar e é uma experiência muito positiva, provavelmente é a única vez que vou tocar. Ter esta experiência de ter cá em Lisboa, é uma oportunidade para todos os escuteiros, para todos os jovens, para toda a comunidade também se reunir em 2023, e acho que vai ser uma boa jornada”, disse Daniel Chaves, do Agrupamento 1313 de Oliveira de Frades.

Tânia Batista, do Grupo de Jovens de Arcozelo das Maias, também destacou a “oportunidade muito grande” de receber a cruz peregrina e o ícone mariano, uma experiência que todos devem “valorizar”.

“A nossa terra está a ser privilegiada porque os símbolos não vão a bastantes sítios. Se calhar outros jovens gostariam de ter a mesma experiência de estar com os símbolos e partilhamos com os nossos colegas”, explicou a jovem de 17 anos à Agência ECCLESIA.

O padre Paulo Vicente, pároco de Arcozelo das Maias, Ribeiradio e Sejães (Oliveira de Frades), participou em duas edições internacionais da JMJ, na Polónia (2016) e no Panamá (2019), e “nunca” tinha estado “tão perto dos símbolos”.

“É uma experiência incrível, disse nas paróquias que era uma oportunidade única, porque dificilmente vamos estar tão perto. Uma oportunidade importante mesmo para motivar os jovens em 2023”, acrescentou.

O sacerdote recordou que, na manhã de 29 de abril, os símbolos passaram pelo centro escolar, onde “todos os alunos foram mais cedo para a escola para estar com os símbolos”, e depois foram à Escola Secundária onde “as aulas pararam, com a autorização da diretora”, e fizeram uma pequena celebração.

Neste percurso pelo território da Diocese de Viseu, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora estiveram em quatro associações de bombeiros, 12 autarquias, visitaram os reclusos do Estabelecimento Prisional de Viseu e passaram por três hospitais.

Numa diocese “muito extensa geograficamente” os símbolos passaram por várias paróquias e instituições nos seis arciprestados, como Mões, no concelho de Castro Daire.

“Esta é a nossa periferia, e o objetivo era chegar a esta juventude que está perdida às vezes no meio de uma serra, no meio de sítios muito agrestes. E queremos chegar aqui e dar-lhes este calor, dar esta proximidade e dizer, estamos com vocês. Viemos chamá-los e dizer: ‘Vamos juntos até Lisboa’”, exemplificou Fernando Chapeiro, o coordenador do COD de Viseu.

Para o pároco de Mões, estas comunidades viviam “um momento histórico e também um momento de graça” por terem a presença da cruz e do ícone de Maria.

“É extraordinário para esta comunidade e para a escola também foi um momento bastante interessante, intenso. É uma oportunidade depois deste contexto todo da pandemia e agora com esta circunstância da guerra, tudo isto que causa uma certa perturbação, na vida das pessoas, ter um momento em que há um símbolo concreto que une é importante e de renovação para todos”, desenvolveu o padre António Manuel Sobral.

O encerramento da peregrinação dos símbolos na Diocese de Viseu marcou uma nova etapa no périplo nacional que a Cruz e o ícone estão a fazer até à JMJ Lisboa, em agosto de 2023, com a entrega de uma réplica da cruz, numa iniciativa do Comité Organizador Local.

“Essa réplica pode ser o motor, pode ser o fator que mobiliza outra vez a termos este encontro. Ter esta réplica vai servir como memória deste tempo que passou, vai-nos ajudar a construir caminho até às jornadas”, destacou Fernando Chapeiro.

A passagem dos símbolos pela Diocese de Viseu está em destaque na emissão desta quarta-feira do Programa ECCLESIA (15h00, RTP2).

A próxima etapa da peregrinação é a Diocese do Funchal, os símbolos chegam ao Arquipélago da Madeira esta sexta-feira, dia 6 de maio.

LS/CB/OC

 

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