Évora: Arcebispo desafia Igreja a tornar-se «pálio» contra o abandono e a solidão

D. Francisco Senra Coelho evoca fome de «humanidade», na celebração do Corpo de Deus

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Évora, 05 jun 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora apelou esta quinta-feira à construção de uma sociedade focada na entrega pessoal e no cuidado das populações mais frágeis.

“O mundo precisa de ter coração e de se dar a uma humanidade faminta de humanidade”, afirmou D. Francisco Senra Coelho, durante a homilia da solenidade do Corpo de Deus.

A intervenção opôs a lógica do sacramento da Eucaristia à acumulação de riqueza e à exibição de domínio.

“Temos que construir uma humanidade para a humanização, não uma humanidade para o poder”, declarou o responsável católico, citado pela Arquidiocese de Évora.

O prelado alertou para a persistência da fome provocada pelos conflitos armados e pela ganância.

“Para Jesus não é compreensível que uns tenham mais, outros menos e outros nada”, constatou D. Francisco Senra Coelho.

A procissão com o Santíssimo Sacramento motivou uma reflexão em torno da proteção dos marginalizados.

“O pálio de Deus são os braços carinhosos com que nos abraça e nos envolve”, explicou o arcebispo diocesano.

“A Igreja é chamada a tornar-se pálio para todos, para que não haja ninguém ferido e lançado ao mar do abandono, ao abismo da solidão”, acrescentou.

A intervenção sublinhou a urgência de colocar a dignidade do indivíduo no centro de uma ecologia integral.

“A construção de uma nova humanidade passa por uma nova mentalidade que leva a um novo agir”, defendeu o arcebispo de Évora.

O responsável exigiu serviço ativo e proximidade junto das pessoas afetadas pela indiferença.

“A Igreja seja pálio, paliativo na sociedade que por nós espera e de nós reclama coerência”, concluiu.

OC

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