«O que alimenta a unidade é o amor, não vão ser as regras, não vão ser as leis» – Padre Manuel Augusto Ferreira
Lisboa, 17 jul 2026 (Ecclesia) – As Jornadas Missionárias 2026, promovidas pelas Obras Missionárias Pontifícias – Portugal, com o tema ‘Um em Cristo, Unidos na Missão’, vão realizar-se nos dias 19 e 20 de setembro, no auditório das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, em Fátima.
“Nós pensámos que não podíamos fugir desta responsabilidade de aprofundar a mensagem do Papa, e procurar pôr na mesa da nossa discussão, da nossa reflexão, este tema, a preocupação foi essa”, disse o diretor das Obras Missionárias Pontifícias Portugal, esta sexta-feira, 17 de julho, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O padre Manuel Augusto Ferreira explicou que nas Jornadas Missionárias 2026 vão tentar sublinhar o “aspeto da missão dirigida a todos, a atitude da comunidade, como é importante o acolhimento”, porque “o cristianismo é, de alguma maneira, uma arte de acolher as pessoas”.
‘Um em Cristo, Unidos na Missão’, é o tema das Jornadas Missionárias 2026, que a OMP Portugal adotou da mensagem do Papa Leão XIV para o centenário do Dia Mundial das Missões (18 de outubro, em 2026).
“Vamos ver se conseguimos pôr disponíveis as mensagens destes anos, as 100 mensagens, e ajudar as pessoas a lerem, a perceberem a evolução que houve, seja na conceção da missão, na ideia da missão, como na sua vivência”, adiantou o missionário Comboniano, sobre o que considera “um exercício interessante”, ver “a evolução da ideia e da prática missionária na Igreja”, desde 1926.
Do programa das jornadas, o diretor das OMP destaca a reflexão de D. Rui Valério, o patriarca de Lisboa é o presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização da Igreja Católica em Portugal, com o tema ‘O Cristianismo como estilo: a importância do acolhimento na evangelização hoje’, seguindo-se o professor universitário Juan Ambrosio sobre ‘Comunhão na Diversidade’, “duas dimensões da vida da Igreja do ponto de vista da Teologia”.
Este primeiro dia continua com mesas duas mesas redondas para lerem a mensagem de Leão XIV “no contexto das preocupações do Papa pela unidade da Igreja”, e também como “a expressão de uma unidade que se tem de construir a partir daquilo que cada um vive na sua diversidade”, com o jornalista Octávio Carmo, chefe de redação da Agência Ecclesia, a irmã Célia Cabecinhas, consagrada das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, e o padre José Antunes, Verbita (SVD).
O Papa Leão XIV pediu que os 100 anos do Dia Mundial das Missões (18 de outubro) seja vivido por uma Igreja de “corações reconciliados”, capaz de superar “polarizações” e “desconfiança mútua”, na mensagem ‘Um em Cristo, unidos na missão’, que evoca a instituição deste dia por Pio XI, em 1926.
“De alguma maneira, surpreende, apesar de a unidade da Igreja e das comunidades ser uma preocupação constante do Papa Leão”, disse o diretor das OMP Portugal, que se interrogou sobre a escolha do tema, lembrando a ordenação de quatro bispos sem mandado papal, na Suíça, e o assassinato do bispo de Quelimane, em Moçambique.
O padre Manuel Augusto Ferreira destaca que Leão XIV, depois de chamar à unidade de todos em Cristo e de todos na missão, escreve que “a unidade não é uniformidade, mas é a convergência de todos para construir o bem de cada um e o bem da comunidade”.
“A unidade não é uma coisa que vira a Igreja para dentro, a unidade vira a Igreja para fora. A unidade é a primeira afirmação missionária da comunidade cristã, é pelo testemunho que a comunidade se afirma; o segredo vem na parte terceira da mensagem, o segredo é o amor. O que alimenta a unidade é o amor, não vão ser as regras, não vão ser as leis, é o amor”, acrescentou o missionário Comboniano.
O diretor das Obras Missionárias Pontifícias Portugal, que comentou os textos bíblicos que vão ser lidos nas Missas deste domingo, informou ainda que as inscrições para as Jornadas Missionárias 2026, que são “dirigidas a todos”, estão a decorrer na página das OMP na internet.
“Nós gostaríamos de ver sobretudo os jovens e os leigos, mas também contamos com a participação dos membros dos vários institutos missionários, porque a experiência e o testemunho são importantes e a reflexão deve ser conduzida também e acompanhada por nós”, concluiu o padre Manuel Augusto Ferreira, no Programa ECCLESIA, desta sexta-feira, na RTP2.
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